A Califórnia e outros 11 estados dos Estados Unidos entraram com uma ação judicial para impedir que a Paramount conclua a compra da Warner Bros. Discovery, negócio avaliado em US$ 110 bilhões. A medida foi apresentada nesta segunda-feira (13) e coloca em risco a operação que pretende ampliar a presença da Paramount no mercado de entretenimento.
O processo, aberto por procuradores-gerais estaduais, sustenta que a união das empresas reduziria a disputa no setor de distribuição cinematográfica e de televisão por assinatura. Segundo os estados, a concentração poderia afetar cinemas, distribuidores de TV e consumidores.
A ofensiva judicial ocorre enquanto a Paramount busca transformar a aquisição em uma estratégia para competir em maior escala com gigantes do streaming e do entretenimento. As autoridades estaduais pedem que o fechamento do acordo seja adiado até a conclusão da análise judicial.
Estados apontam concentração de mercado e pedem suspensão do acordo
A ação representa um novo obstáculo para o plano liderado pelo presidente-executivo da Paramount Skydance, David Ellison, que pretende unir duas grandes companhias do setor audiovisual. Os estados afirmam que a operação daria à empresa combinada participação relevante em diferentes segmentos da indústria.
De acordo com os procuradores-gerais envolvidos no processo, a companhia resultante da fusão passaria a controlar cerca de 27% do mercado de distribuição de filmes exibidos nos cinemas americanos, 30% da distribuição de grandes produções e 27% do mercado de canais básicos de televisão.
A avaliação das autoridades estaduais é que a diminuição da concorrência poderia pressionar preços e reduzir opções disponíveis para o público. O argumento também envolve a relação entre os estúdios e as redes de cinema, que disputam datas de lançamento e espaço nas salas de exibição.
O escritório do procurador-geral da Califórnia afirmou que Paramount e Warner Bros. atualmente competem pela negociação dos melhores períodos de lançamento e pela presença de seus filmes em milhares de cinemas nos Estados Unidos. A união das empresas, segundo a acusação, poderia enfraquecer essa disputa.
A preocupação também alcança o setor de televisão paga. As empresas controlam ou estão ligadas a importantes canais, como CNN, MTV, HGTV, Cartoon Network e Nickelodeon, que seriam reunidos sob uma mesma estrutura empresarial caso o acordo avance.
A Paramount contestou anteriormente críticas ao negócio e afirmou que eventuais ações contra a aquisição teriam motivação política. A empresa também defendeu que a operação permitiria ampliar sua capacidade de produção após cortes estimados em US$ 6 bilhões em estruturas, marketing e funções corporativas consideradas redundantes.
A companhia declarou ainda que pretende lançar 30 filmes por ano com os estúdios combinados. A defesa do negócio ocorre após manifestações contrárias de atores, roteiristas e proprietários de cinemas, que demonstraram preocupação com possíveis impactos sobre empregos e quantidade de produções disponíveis.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos autorizou a operação no mês anterior e avaliou que a transação poderia trazer benefícios para consumidores e trabalhadores. Mesmo com essa aprovação, os estados mantêm a tentativa de bloquear o acordo por meio da Justiça.
O processo pode levar meses para chegar a uma decisão e gerar custos adicionais para a Paramount. Entre os possíveis impactos estão despesas relacionadas ao atraso da operação, incertezas sobre o valor das ações e dificuldades para manter o financiamento do negócio.
A empresa também assumiu o compromisso de pagar aproximadamente US$ 650 milhões por trimestre aos acionistas da Warner Bros. Discovery caso a transação não seja concluída antes de outubro. Segundo a Paramount, atrasos prolongados poderiam até comprometer a continuidade do acordo.
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