Faltando 100 dias para o primeiro turno, a disputa política já saiu da arena dos discursos e foi parar no Tribunal Superior Eleitoral. Embora a campanha ainda não tenha começado oficialmente, partidos e candidatos passaram a usar a Justiça Eleitoral para atacar adversários, denunciar supostas irregularidades e tentar frear movimentos considerados fora das regras.
Até a publicação da reportagem de referência, ao menos 135 representações já tinham sido protocoladas no TSE. No mesmo período da eleição de 2022, o número era de 33. O salto expõe um ambiente mais litigioso e uma campanha que começa antes do prazo, com disputa intensa por espaço, narrativa e vantagem política.
A maior parte desses processos trata de propaganda eleitoral antecipada, um dos temas mais sensíveis do período pré-campanha. Na prática, qualquer sinal de pedido de voto, promoção pessoal ou ação que seja interpretada como campanha fora de hora pode virar alvo de representação, e a tendência é de aumento à medida que a disputa se aproxima.
Outro fator que pesa nessa arrancada antecipada é o uso de inteligência artificial na produção e na circulação de conteúdo político. A tecnologia amplia a velocidade da comunicação, mas também abre margem para manipulação, desinformação e peças que simulam falas, imagens e situações com aparência de autenticidade. O resultado é um contencioso eleitoral mais rápido, mais volátil e mais difícil de controlar.