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A asteroide que apagou os dinossauros era mais estranha do que se pensava

Redação Recifes
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A asteroide que apagou os dinossauros era mais estranha do que se pensava
Foto: Cup of Couple / Pexels

Uma investigação internacional identificou que o corpo celeste responsável pelo impacto de Chicxulub, associado ao desaparecimento dos dinossauros não aviários, tinha uma composição diferente da esperada por algumas teorias. A análise de metais preservados na camada geológica ligada ao fim do período Cretáceo indicou uma origem específica entre os asteroides conhecidos.

O estudo examinou assinaturas isotópicas de níquel encontradas em sedimentos espalhados pelo planeta na chamada fronteira KPg, marco que separa o Cretáceo do Paleógeno. Os resultados apontaram que o responsável pelo impacto era um condrito carbonáceo da rara classe Ornans, um tipo de meteorito pouco representado nas coleções terrestres.

A pesquisa, que contou com a participação do pesquisador Philippe Claeys, da Universidade da Colúmbia Britânica, foi divulgada na revista Science Advances. A descoberta reforça que a extinção ocorreu após a colisão com um asteroide incomum e distante, mas também coloca em dúvida o papel atribuído ao enxofre liberado pelo próprio objeto na devastação ambiental posterior.

A composição do visitante espacial que mudou a história da Terra

Desde que o impacto de um grande corpo celeste foi apontado como a causa principal do desaparecimento dos dinossauros não aviários, cientistas tentam determinar exatamente que tipo de objeto atingiu o planeta. As principais possibilidades discutidas envolviam um asteroide ou um cometa, hipótese que continuou sendo defendida por parte dos astrônomos.

A nova investigação buscou restringir essa identificação por meio dos vestígios químicos deixados pelo impacto. Como o objeto foi praticamente destruído durante a colisão, apenas uma quantidade extremamente pequena de seu material permaneceu preservada na camada de argila associada ao evento.

O caminho encontrado pelos pesquisadores foi analisar a proporção entre cinco isótopos estáveis de níquel presentes nesses depósitos em diferentes locais do mundo. Essas marcas químicas funcionam como uma espécie de assinatura, permitindo comparar o material encontrado na Terra com diferentes grupos de meteoritos.

Os resultados indicaram correspondência com os condritos carbonáceos da classe Ornans. Esse grupo representa uma parcela pequena dos meteoritos conhecidos e se diferencia por apresentar características próprias, incluindo menor quantidade de elementos voláteis quando comparado a outras categorias de condritos carbonáceos.

Carbonáceos da classe Ornans definitivamente não são como os meteoritos comuns encontrados em coleções de museus”, afirmou Philippe Claeys, pesquisador da Universidade da Colúmbia Britânica e participante do estudo, em declaração divulgada pelos autores da pesquisa. O cientista explicou que esse tipo específico de material espacial possui quantidades menores de elementos como carbono, zinco, água e enxofre em relação a outros grupos já identificados.

A composição descoberta também trouxe novas perguntas sobre as consequências ambientais do impacto. Durante anos, modelos científicos atribuíram ao enxofre liberado pelo asteroide um papel central no bloqueio da luz solar, fenômeno associado ao resfriamento global e à morte de grande parte dos organismos.

Com a indicação de que o asteroide tinha pouco enxofre em sua composição, os pesquisadores passaram a considerar que outros materiais expelidos durante a colisão podem ter sido mais importantes para provocar os efeitos atmosféricos que seguiram o impacto.

Segundo Claeys, a nova identificação não muda a explicação principal para a extinção, já que a colisão continua sendo considerada o evento decisivo. A diferença está na interpretação sobre qual componente do impacto teria causado os efeitos mais severos.

Isso não altera nossa teoria sobre o que causou o evento de extinção, mas torna menos provável que o enxofre presente no impactador tenha sido o fator determinante”, declarou Claeys. De acordo com o pesquisador, a poeira fina lançada na atmosfera teria desempenhado o papel principal nesse processo.

Para o cientista, o fato de a Terra ter sido atingida por um objeto tão raro reforça o caráter excepcional do episódio. Na avaliação apresentada no estudo, os dinossauros não apenas enfrentaram uma colisão de grandes proporções, mas foram atingidos por um tipo de asteroide pouco comum.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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