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A empresa brasileira que vende ar da Amazônia em forma de água premium

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Em uma fábrica instalada em Barcelos, no coração da Amazônia, uma operação pouco convencional transforma um elemento invisível em produto de luxo. Diferente de qualquer marca de água, que geralmente capta o recurso de fontes subterrâneas ou nascentes, a Ô Amazon Air Water produz sua água a partir da umidade presente no ar amazônico. A empresa nasceu em 2014, mas sua origem remonta a quatro anos antes, quando o empreendedor Cal Junior fundou a A2BR (Águas do Ar do Brasil), empresa dedicada ao desenvolvimento de equipamentos AWG (Air Water Generator) capazes de produzir água diretamente da umidade atmosférica. Durante o processo de aperfeiçoamento da tecnologia, no entanto, surgiu uma pergunta que redefiniu o negócio. “Se podemos produzir água do ar, qual seria o ar mais valioso do planeta?”, relembra o fundador em entrevista ao Seu Dinheiro. “A resposta era óbvia: a Amazônia.” A escolha do local não aconteceu por acaso. Situada às margens do Rio Negro, Barcelos está entre os maiores municípios do Brasil em extensão territorial e abriga uma das regiões mais preservadas da Amazônia. A região é também influenciada pelos chamados rios voadores, fenômeno climático responsável por transportar enormes volumes de vapor d’água produzidos pela floresta e que influencia no regime de chuvas em grande parte da América do Sul. A marca possui duas linhas de água premium: Onça Pintada (R$ 629) e Vitoria Regia (R$ 1.212)/ Foto: Ricardo Zugo Como o ar vira água O processo começa com a captação do ar ambiente. Depois, filtros retiram as partículas em suspensão. Em seguida, o ar passa por um sistema de resfriamento de alta eficiência. Nesse ponto, a tecnologia esfria o ar até transformar a umidade presente nele em gotículas de água, que se juntam e viram água líquida. Depois da condensação, a água passa por etapas de filtragem, monitoramento microbiológico e controle de qualidade. A operação também utiliza esterilização por luz ultravioleta antes do envase. “É um processo físico simples na teoria, mas altamente sensível na prática. A eficiência depende diretamente da umidade do ambiente”, explica Junior. Segundo ele, a Amazônia oferece uma condição quase ideal para esse tipo de produção. “Temperatura alta e umidade constante tornam a produção mais estável e eficiente.” A tecnologia, embora pareça futurista, depende de um princípio básico: a presença de umidade no ar. “Se existe ar, existe água. O que muda é a quantidade que conseguimos extrair e a eficiência energética do processo”, afirma. Uma estratégia baseada em exclusividade Na contramão das grandes fabricantes de água mineral, a Ô Amazon não compete por volume de produção. A empresa desenvolveu equipamentos capazes de produzir até cinco mil litros por dia por meio da EPAUA (Estação de Produção de Água da Umidade do Ar). A fábrica possui hoje cerca de 17 funcionários diretos e aproximadamente 30 indiretos em operações complementares. Segundo a companhia, os investimentos acumulados desde a fundação superam R$ 20 milhões, destinados ao desenvolvimento tecnológico, à operação na Amazônia e à expansão internacional. “Nosso foco nunca foi escala industrial. É valor, origem e rastreabilidade”, diz o fundador. O posicionamento fica evidente no preço. A principal garrafa da marca, a Vitória Régia Edition de 1,5 litro, é comercializada por R$ 1.212. O produto, inclusive, tem lista de espera. Segundo a empresa, essa linha de águas é captada apenas durante noites de lua cheia na Amazônia, uma característica que a diferencia dos demais produtos da marca. Garrafa de água Vitoria Regia, da Ô Amazon Air Water/ Imagem: Ricardo Zugo A estratégia conecta a empresa ao segmento global de Fine Waters, mercado de águas premium voltado a hotéis de luxo, restaurantes estrelados, spas e experiências exclusivas. Nesse universo, a água ocupa um papel semelhante ao dos vinhos na gastronomia. Existem inclusive sommeliers especializados em águas, profissionais responsáveis por avaliar características sensoriais, origem, mineralidade e harmonizações com diferentes pratos. Em países de maioria muçulmana, por exemplo, onde o consumo e a comercialização de álcool são proibidos, as águas premium ganham ainda mais protagonismo à mesa, assumindo um papel de destaque em experiências gastronômicas de alto padrão. “Nossos canais principais são hotelaria de luxo ao redor do mundo, alta gastronomia, empórios e varejistas premium, além de presentes corporativos, duty free e canais digitais globais”, afirma Junior. Como é o sabor da água da Amazônia? Diferentemente de muitas águas produzidas por processos de dessalinização ou condensação atmosférica, a Ô Amazon afirma não realizar a remineralização do produto após a captação da umidade do ar. Na prática, isso significa que a água preserva uma composição mineral extremamente baixa em comparação com águas minerais tradicionais extraídas de aquíferos ou fontes subterrâneas. Segundo o sommelier de águas Gustavo Buske, o teor de minerais influencia diretamente características sensoriais como corpo, textura e persistência no paladar. “Águas mais mineralizadas costumam ter sabores mais marcantes, enquanto pessoas descrevem águas de baixa mineralização como mais leves e neutras”, diz. Cal descreve o sabor da água amazônica como “levemente mais ácido, com um perfil mais neutro”. “Por ter baixa mineralidade, ela apresenta um paladar mais limpo e neutro. Isso explica a boa aceitação, especialmente entre pessoas que apreciam bons vinhos ou whisky e não querem que a água interfira na percepção dos sabores da bebida que estão consumindo”, afirma o fundador. Cal Junior, sócio fundador da Ô Amazon Air Water/ Imagem: Ricardo Zugo Da Amazônia para o mundo Hoje, a marca mantém presença em cidades como Paris, Londres, Nova York, Barcelona, Milão, Dubai e Macau. A expansão, segundo a empresa, ocorre de forma seletiva, por meio de distribuidores especializados, hotéis de luxo, restaurantes, lojas duty free e empórios especializados. Em 2024, a companhia afirma que sua água foi escolhida como presente oficial do governo brasileiro durante agenda diplomática com o presidente chinês Xi Jinping. O próximo passo, segundo o fundador, é entrar no setor de beleza com o lançamento de uma bruma facial feita com a água amazônica. "Um movimento natural para uma empresa que entende a água não apenas como bebida, mas como ativo de valor, cuidado e experiência", diz Cal. Agora, a meta para os próximos cinco anos é alcançar a distribuição de dois milhões de unidades por ano no mercado internacional. 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Artigo originalmente publicado em www.seudinheiro.com
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