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A energia que prepara o Rio para a Era da Inteligência Artificial e das Cidades Conectadas

Redação Recifes
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A energia que prepara o Rio para a Era da Inteligência Artificial e das Cidades Conectadas
Foto: Pixabay / Pexels

O Rio de Janeiro reúne alguns dos ativos mais reconhecidos do país: uma marca territorial de alcance global, vocação turística e cultural, base produtiva diversificada, presença científica relevante, tradição energética e capacidade de atrair eventos, negócios e investimentos. Esses atributos ajudam a explicar por que o estado segue ocupando um lugar estratégico no imaginário nacional e internacional. Mas, diante das transformações econômicas, urbanas, tecnológicas e climáticas em curso, a força simbólica do Rio precisa estar acompanhada de uma agenda capaz de transformar potencial em desenvolvimento contínuo.

Mas, em um mundo marcado pela aceleração tecnológica, pela emergência climática e pela reorganização das cadeias produtivas globais, a força simbólica de um território já não é suficiente. A competitividade das próximas décadas dependerá da capacidade de transformar ativos históricos em infraestrutura preparada para uma nova realidade econômica.

A próxima revolução econômica será também uma revolução energética. Inteligência Artificial, Computação em Nuvem, data centers, mobilidade elétrica, indústria avançada e Cidades Inteligentes têm algo em comum: dependem de uma infraestrutura elétrica mais robusta, resiliente e digitalizada.

Segundo o Energy and AI Report, 2025, produzido pela Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda global de eletricidade proveniente de data centers poderá mais que dobrar até 2030, alcançando aproximadamente 945 TWh por ano, impulsionada principalmente pela expansão da IA. Esse volume será superior ao consumo anual de eletricidade de países inteiros, como o Japão.

Essa transformação cria uma corrida global entre países e regiões: não apenas por talentos, tecnologia e capital, mas também pela capacidade de oferecer energia confiável, competitiva e sustentável. Nesse contexto, a infraestrutura elétrica deixa de ser apenas um serviço essencial e passa a ser um dos principais ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico.

Esse desafio traz uma pergunta central para o Rio de Janeiro: o estado está preparando sua infraestrutura para sustentar a economia elétrica e digital do futuro?

A resposta passa por uma visão integrada de planejamento, inovação e investimento. Energia de qualidade sustenta empresas, hospitais, escolas, serviços públicos, pequenos negócios e o cotidiano das famílias. Mas seu papel vai além: será decisivo para viabilizar novas oportunidades ligadas à digitalização da economia, à mobilidade elétrica e à maior resiliência das cidades frente aos eventos climáticos extremos.

Pensar o futuro do Rio significa, portanto, compreender a infraestrutura elétrica como uma plataforma de desenvolvimento. Uma rede moderna e preparada será um dos elementos capazes de transformar o potencial do estado em prosperidade distribuída entre seus municípios e territórios.

O Rio como território de vocação global

Poucos territórios no Brasil reúnem, com a mesma força, reconhecimento internacional, diversidade econômica, base científica, vocação energética e capacidade de atração de investimentos como o Rio de Janeiro. Conhecido por suas paisagens, pelo turismo, pela cultura, pela gastronomia e pela realização de grandes eventos, o Rio ocupa um lugar singular no imaginário global. Mas sua relevância vai além da marca turística: o estado combina ativos simbólicos, tecnológicos e institucionais que o posicionam como uma plataforma estratégica para um novo ciclo de desenvolvimento.

O estudo “Rio de Futuro: Vocações e Potencialidades Econômicas do Rio de Janeiro”, elaborado pela Firjan, destaca que o estado possui condições singulares para liderar uma agenda de crescimento baseada na diversificação produtiva, na inovação e na ampliação de cadeias econômicas de maior valor agregado. Os números reforçam essa relevância. Com um PIB superior a R$ 1 trilhão, o Rio de Janeiro é uma das maiores economias da América Latina e um dos principais mercados consumidores do país. Sua estrutura econômica reúne serviços sofisticados, indústria, turismo, economia criativa, infraestrutura logística e uma crescente capacidade de inovação.

No plano econômico, a economia fluminense é marcada por uma base empresarial diversificada, forte presença do setor de serviços, parque produtivo relevante, conectividade digital, ativos turísticos e naturais, além de um mercado consumidor expressivo. Essa combinação sustenta a atratividade do território para negócios, investimentos, eventos, inovação e novas cadeias produtivas.

O conhecimento é outro diferencial estratégico do território. Universidades e instituições de referência, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a COPPE/UFRJ, o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e o o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) formam um ecossistema capaz de transformar ciência em tecnologia, empreendedorismo e soluções aplicadas aos grandes desafios urbanos, industriais e ambientais.

A energia aparece como um dos ativos mais estratégicos nessa agenda. Neste contexto, a presença da Light ganha protagonismo. A empresa, que teve renovado por mais 30 anos a concessão e prevê investimento de R$ 10 bilhões em cinco anos nos 31 municípios em que atua, acompanha há 121 anos transformações decisivas da cidade e do estado, participando da construção da infraestrutura que sustentou a urbanização, a expansão dos serviços, a atividade econômica e o cotidiano da população. Sua história se confunde, em muitos momentos, com a própria modernização do Rio, reforçando como a energia sempre esteve ligada à capacidade do território de crescer, atrair investimentos e se projetar como referência nacional.

A questão central, portanto, não é apenas reconhecer que o Rio é uma potência, mas entender como essa potência pode ser convertida em competitividade real. Para que o estado transforme sua marca global, sua base econômica, sua capacidade científica e sua vocação energética em desenvolvimento contínuo, será preciso investir nas bases que sustentam esse crescimento. Nesse processo, energia, infraestrutura e sustentabilidade aparecem como vetores críticos para ampliar oportunidades, atrair investimentos, fortalecer municípios e preparar o Rio para um novo ciclo de desenvolvimento.

Energia, infraestrutura e sustentabilidade: as bases da competitividade do Rio de Janeiro

Para que o Rio de Janeiro consolide um novo ciclo de crescimento, não basta apenas reunir ativos naturais, culturais ou capacidade de atrair grandes eventos e investimentos. A competitividade dos territórios no século XXI dependerá cada vez mais da qualidade da infraestrutura que sustenta a economia digital, a inovação industrial, os serviços urbanos e a qualidade de vida da população.

A energia, portanto, deixa de ser apenas um insumo operacional e passa a ocupar uma posição estratégica na agenda de desenvolvimento econômico. Da indústria aos serviços, da saúde à educação, do turismo aos pequenos negócios, praticamente toda atividade econômica depende de um sistema elétrico confiável, resiliente e preparado para novas demandas.

No passado, a vantagem competitiva das regiões era frequentemente medida pela disponibilidade de recursos naturais, acesso a mercados ou mão de obra. Na nova economia, um novo fator ganha protagonismo: a capacidade de oferecer energia abundante, confiável, digitalizada e cada vez mais sustentável. Essa mudança já influencia decisões de investimento de grandes empresas globais. A localização de novas fábricas, centros tecnológicos e data centers tem considerado, cada vez mais, a disponibilidade de energia elétrica, a estabilidade das redes e o acesso a fontes de baixo carbono como fatores estratégicos.

Durante grande parte do século XX, o principal desafio das concessionárias era expandir a rede para acompanhar o crescimento da população e o processo acelerado de urbanização. No século XXI, a agenda se torna mais complexa: além de ampliar a infraestrutura, será preciso torná-la mais inteligente, capaz de prever, monitorar e responder em tempo real às necessidades dos consumidores e às novas formas de uso da energia.

É nesse cenário que ganham importância as redes elétricas inteligentes, que integram sensores, automação, comunicação digital, medidores inteligentes e ferramentas de IA para tornar a operação mais eficiente, confiável e resiliente. Segundo o Fórum Econômico Mundial, em relatório sobre redes elétricas e transição energética (World Economic Forum – Electricity Grids and the Energy Transition), a digitalização das redes elétricas é um dos pilares para aumentar a eficiência dos sistemas e integrar novos recursos energéticos distribuídos.

Diante desta transformação, o papel das distribuidoras de energia se amplia. Além de fornecer eletricidade, elas passam a ser agentes fundamentais na construção da infraestrutura necessária para uma economia mais digital, descarbonizada e resiliente. Os investimentos em modernização das redes, automação, digitalização e aumento da capacidade de resposta operacional tornam-se parte de uma estratégia mais ampla de preparação dos territórios para as demandas do futuro.

Entretanto, o avanço dessas oportunidades depende de uma visão integrada de infraestrutura. Energia, conectividade digital, mobilidade, saneamento, planejamento urbano e resiliência climática precisam evoluir de maneira coordenada. As cidades e estados que ganharão relevância nas próximas décadas não serão apenas aqueles capazes de produzir mais energia, mas aqueles que conseguirem integrar tecnologia, sustentabilidade e infraestrutura para melhorar a produtividade econômica, a qualidade dos serviços e a vida da população.

Energia na ponta: como a infraestrutura elétrica impulsiona inclusão, qualidade de vida e desenvolvimento local

Se, no plano econômico, a energia é um elemento essencial para competitividade, nos territórios ela representa algo ainda mais fundamental: a capacidade de garantir dignidade, oportunidades e o funcionamento da vida cotidiana.

A eletricidade está presente em praticamente todas as atividades da sociedade moderna. Ela mantém escolas funcionando, permite o atendimento em hospitais, viabiliza o comércio local, conecta cidadãos aos serviços digitais e garante segurança por meio da iluminação pública. Por isso, a qualidade do fornecimento de energia tem impacto direto sobre o desenvolvimento econômico e social dos municípios.

Nos territórios, energia de qualidade não é apenas uma condição técnica do serviço elétrico, mas uma infraestrutura de inclusão. A Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece, por meio do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 (ODS 7), que o acesso à energia acessível, confiável, sustentável e moderna é um dos pilares para a redução das desigualdades e promoção do desenvolvimento humano. No Brasil, a experiência de programas de universalização do acesso à eletricidade reforça essa dimensão social: quando a energia chega com qualidade, ela amplia a capacidade das famílias de estudar, trabalhar, empreender, se comunicar e participar da vida econômica e social de seus municípios.

Nas últimas décadas, o Brasil avançou significativamente na universalização do acesso à eletricidade. O desafio atual, especialmente em grandes centros urbanos, não está apenas em estar conectado à rede, mas em levar uma energia cada vez mais segura, contínua e adequada às necessidades da população.

Essa discussão dá origem ao conceito de pobreza energética, utilizado internacionalmente para descrever situações em que famílias enfrentam dificuldades para acessar serviços energéticos adequados, seja por limitações econômicas, baixa qualidade do fornecimento ou impossibilidade de utilizar a energia de maneira suficiente para garantir conforto, saúde e bem-estar. Segundo o relatório World Energy Outlook 2024, da Agência Internacional de Energia (IEA), ainda existem centenas de milhões de pessoas no mundo sem acesso adequado à eletricidade, evidenciando que a segurança energética permanece como um dos grandes desafios sociais do século XXI.

Em áreas urbanas já conectadas à rede elétrica, o desafio não está apenas em ter acesso formal à energia, mas em contar com um serviço regular, seguro e confiável. Este aspecto é ainda mais complexo em territórios marcados por vulnerabilidades socioeconômicas, restrições severas de acesso operacional e de atendimento, e altos índices de perdas não técnicas (furto de energia), frequentemente associados a dinâmicas complexas de segurança pública.

No caso do Rio de Janeiro, a operação das redes elétricas confronta-se com esta realidade urbana, permeada por questões estruturais e por uma percepção distorcida do valor tarifário por parte de parcelas da população, que acredita que a energia é um bem “gratuito”. Estes aspectos criam barreiras culturais e operacionais significativas.

Diante desse cenário estrutural, as concessionárias de energia que atuam em locais com estas características se veem diante de um quadro desafiador para entregar um serviço justo e adequado para todos os clientes e manter a sustentabilidade econômico-financeira de seus contratos.

Quando o fornecimento é instável ou precário, os impactos recaem com mais força sobre quem tem menos margem para absorver prejuízos: famílias de baixa renda, pequenos empreendedores, comunidades, equipamentos públicos e serviços locais. Nesses territórios, a qualidade da energia influencia o conforto térmico, a conservação de alimentos, a comunicação, a iluminação, a segurança e o uso de tecnologias que hoje fazem parte da vida cotidiana.

Por isso, falar em energia que chega à ponta é falar também sobre redução de desigualdades territoriais. Uma rede mais eficiente e resiliente fortalece a capacidade dos municípios de manter serviços funcionando, apoiar a economia de bairro e responder melhor às demandas da população. O impacto não se limita ao consumidor individual: ele se espalha pela escola que consegue manter suas atividades, pela unidade de saúde que opera com estabilidade, pelo comércio que evita perdas, pela rua mais iluminada, pelo serviço público que depende de sistemas digitais e pela família que encontra melhores condições para estudar, trabalhar e se conectar.

Vista por esse ângulo, a infraestrutura elétrica deixa de ser um tema distante da população. Ela passa a compor a base concreta de um desenvolvimento que se mede também pela qualidade de vida nos bairros, pela continuidade dos serviços e pela capacidade de gerar oportunidades em diferentes realidades do estado. A modernização da relação entre distribuidoras e consumidores também acontece por meio dos canais digitais. Aplicativos, atendimento por WhatsApp, plataformas de autoatendimento, Agência Virtual e novas formas de pagamento, como o PIX, reduzem barreiras de acesso e tornam o relacionamento mais simples e ágil.

Essa transformação demonstra como a inovação no setor elétrico não está restrita às subestações, redes e centros de operação. Ela chega ao consumidor por meio de experiências mais eficientes, informações mais acessíveis e serviços desenhados para uma sociedade cada vez mais digital.

Energia como compromisso com o futuro do Rio

O futuro do Rio de Janeiro passa pela capacidade de transformar potencial em planejamento. Em um estado marcado pela expansão do turismo, dos serviços, da economia digital, dos grandes eventos, da mobilidade elétrica e dos pequenos negócios, energia de qualidade deixa de ser apenas suporte operacional e passa a ocupar um lugar estratégico na agenda de desenvolvimento.

Essa visão exige continuidade. O Plano Decenal de Expansão de Energia 2034, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estima que o consumo nacional de eletricidade deverá crescer cerca de 3,4% ao ano até 2034, impulsionado pela expansão da atividade econômica, pela digitalização de serviços e pelo avanço de usos mais intensivos de energia, como a eletromobilidade. Para o Rio, esse cenário reforça a necessidade de uma infraestrutura elétrica capaz de acompanhar uma demanda mais complexa, distribuída e dependente de serviços em tempo real.

Mais do que acompanhar as transformações em curso, a infraestrutura elétrica será um dos fatores que ajudarão a definir a capacidade do Rio de Janeiro de sustentar seu desenvolvimento nas próximas décadas. Em um cenário marcado por novas demandas econômicas, avanços tecnológicos e metas de sustentabilidade, investir em energia é investir na capacidade do estado de gerar riqueza, atrair investimentos, fortalecer seus territórios e ampliar oportunidades. Afinal, o futuro do Rio dependerá não apenas do que ele é capaz de produzir, mas da infraestrutura que sustentará esse crescimento e permitirá que seus benefícios cheguem de forma mais ampla à população.

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Artigo originalmente publicado em mittechreview.com.br
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