O Asaas quer deixar de ser identificado apenas como plataforma de pagamentos e se tornar uma plataforma financeira completa para pequenas e médias empresas, reunindo crédito, seguros, contabilidade e CRM em um único ecossistema.
A frente é conduzida pela área de New Ventures da fintech, que fecha em breve seu primeiro ano de atuação e é responsável tanto por aquisições quanto pela criação de startups internas — batizadas de “drones” — voltadas a expandir esse leque de serviços. À frente do time está Pedro Rocha, VP de New Ventures do Asaas.
Ao descrever a estratégia, Pedro evita o termo “hub” — embora também escorregue nele de vez em quanto. “Eu uso muitas palavras com hub. Sempre caio nela”, brinca o executivo, em entrevista ao Startups, antes de reforçar que o objetivo é ser “uma plataforma completa” de serviços financeiros.
Comprar, criar ou construir
A decisão entre adquirir uma empresa, desenvolver uma solução internamente ou criar uma startup própria segue um critério prático, segundo Pedro: profundidade do conhecimento técnico exigido e complexidade da barreira de entrada. Quando falta domínio específico de um setor, o Asaas vai ao mercado — foi o caso da aquisição da corretora de seguros Mutuus, negócio em que a fintech buscou conhecimento que não tinha internamente.
Quando a solução é adjacente ao core do negócio, mas viável de construir com velocidade, entram os “drones”: pequenas startups fundadas dentro de casa, com expectativa de pivotar até encontrar o encaixe certo com o mercado. Já quando se trata de evolução incremental do próprio produto do Asaas — caso da plataforma de crédito —, a fintech opta por desenvolver internamente.
Rumo à receita de R$ 1 bilhão
O Asaas já anunciou a meta de atingir R$ 1 bilhão em receita em 2026. Segundo Pedro, a contribuição financeira direta da área de New Ventures para esse número ainda é pequena neste primeiro ano, mas a relevância estratégica cresce quando o horizonte é 2030 ou 2032.
O impacto, explica o executivo, aparece de forma indireta: novas iniciativas estimulam o crescimento do próprio core business. É o caso da Helena, CRM incorporado ao portfólio da fintech em junho deste ano. “Quando o meu cliente vende mais, ele cresce mais e, consequentemente, o Asaas também”, afirma Pedro.
Essa sinergia é acompanhada por indicadores internos, como a chamada “penetração do produto” — o quanto cada solução criada ou adquirida é adotada pela base de clientes do Asaas. Um exemplo citado por Pedro é o Pague Contas. Clientes que passam a usar o produto mantêm saldo médio mais alto na plataforma, o que a empresa interpreta como sinal de que passaram a ver o Asaas como banco principal.
Prioridades para o 2º semestre
A área de New Ventures concentra agora dois movimentos recentes. O primeiro é a integração pós-fusão da Helena CRM, adquirida há pouco tempo, cujo foco atual é entender a fundo o produto antes de ajustar processos — tanto na empresa comprada quanto no próprio Asaas.
O segundo é a sinergia com a Mutuus, corretora de seguros cuja aquisição foi anunciada em janeiro. O portal foi incorporado ao aplicativo do Asaas, com acesso direto por um botão dentro da plataforma. Pedro descreve o momento como uma fase de crescimento da vertical de seguros.
Novas aquisições não estão descartadas até o fim do ano — “sempre consideramos”, diz o executivo, desde que estejam alinhadas à tese da área. Também há outros “drones” em desenvolvimento, incluindo um protótipo que deve chegar ao mercado nas próximas semanas. Pedro menciona ainda, de forma breve, que o Asaas aposta em vender por canais e parceiros — estratégia já central para a Helena CRM — mas que a companhia ainda comunica pouco.
A lógica é que cada novo produto aumente o uso da plataforma pelos clientes e fortaleça o negócio principal. Para Pedro, é esse efeito de ecossistema — mais do que a receita individual de cada iniciativa — que deve sustentar a próxima fase de crescimento do Asaas.
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