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A lua mais vulcânica do Sistema Solar esconde um fogo inesperado

Redação Recifes
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A lua mais vulcânica do Sistema Solar esconde um fogo inesperado
Foto: Carlos / Pexels

A missão Juno, da NASA, identificou pela primeira vez sinais de aquecimento abaixo da superfície de Io, lua de Júpiter conhecida por sua intensa atividade vulcânica. As medições foram feitas durante aproximações realizadas no fim de 2023 e no início de 2024.

O estudo utilizou o radiômetro de micro-ondas da espaçonave para investigar camadas subterrâneas da lua, alcançando alguns metros abaixo do solo. Os dados revelaram como o calor interno de Io se desloca pela crosta antes de chegar à superfície.

A pesquisa foi divulgada na última quarta-feira (22) no periódico JGR Planets. A descoberta pode mudar a forma como cientistas analisam vulcões em outros mundos e até contribuir para pesquisas sobre vulcanismo na Terra. O trabalho também amplia o conhecimento sobre luas geladas que podem esconder oceanos internos.

Instrumento de Juno revela uma Io diferente sob a superfície

Durante os voos próximos realizados pela sonda Juno em 30 de dezembro de 2023 e 3 de fevereiro de 2024, o equipamento de micro-ondas da espaçonave foi direcionado para Io. O instrumento, criado originalmente para observar as densas nuvens de Júpiter, mostrou capacidade de investigar temperaturas abaixo do terreno da lua vulcânica.

Até então, os pesquisadores dependiam principalmente de observações feitas no infravermelho, capazes de registrar apenas o calor exposto na superfície. A nova abordagem permitiu analisar a distribuição térmica em profundidades de aproximadamente dois a seis metros.

As medições indicaram que a temperatura aumenta mais de 22 graus Celsius em poucos metros abaixo do solo. O levantamento também apontou áreas específicas mais quentes que o entorno, com diferenças entre 10 e 20 graus Celsius.

Para Scott Bolton, principal investigador da missão Juno e um dos autores do estudo, a descoberta mostra que uma tecnologia semelhante pode oferecer novas informações sobre vulcões terrestres.

Se olharmos com um instrumento do tipo MWR perto de um vulcão na Terra, poderíamos ver uma assinatura semelhante no gradiente de temperatura subterrâneo, fornecendo novas informações sobre como os vulcões terrestres funcionam”, afirmou Bolton em declaração divulgada pela NASA.

A análise do interior de Io também trouxe uma surpresa. Apesar de abrigar grandes montanhas e centenas de vulcões ativos, boa parte da superfície da lua parece ser relativamente lisa e formada por materiais de baixa densidade.

Os cientistas avaliam que essa característica pode estar ligada à constante renovação do solo causada por erupções. Camadas de cinzas vulcânicas, gelo de enxofre e outros resíduos expelidos pelos vulcões cobririam terrenos antigos, criando uma superfície continuamente modificada.

Calor de Io nasce da força gravitacional de Júpiter

Diferentemente da Terra, onde grande parte da atividade vulcânica está relacionada ao calor produzido pela decomposição radioativa, Io recebe energia de outro processo. A enorme gravidade de Júpiter provoca deformações constantes na lua enquanto ela orbita o planeta.

Esse movimento de compressão e estiramento, conhecido como aquecimento por maré, gera calor no interior do satélite e alimenta sua intensa atividade vulcânica. O fenômeno faz de Io o corpo mais vulcanicamente ativo conhecido no Sistema Solar.

Os pesquisadores acreditam que o calor detectado abaixo da superfície pode estar subindo diretamente do interior derretido da lua através da crosta ou vindo de bolsões de lava que permanecem presos perto do solo enquanto esfriam.

Segundo Bolton, a observação de Io ajuda a compreender como esse mecanismo de aquecimento funciona em diferentes ambientes do espaço. “Io oferece uma janela única para aprender como o aquecimento por maré funciona pelo cosmos, um processo fundamental que fornece energia e calor a mundos distantes de suas estrelas”, declarou o pesquisador, principal responsável científico pela missão Juno.

A mesma técnica poderá ser aplicada ao estudo de outros corpos do Sistema Solar. Como o instrumento também foi utilizado para investigar Europa e Ganimedes, luas de Júpiter que podem abrigar oceanos sob camadas de gelo, os resultados ajudam a entender como o calor se movimenta em ambientes subterrâneos.

Embora Io seja considerada inóspita para a vida, compreender sua dinâmica interna pode auxiliar pesquisas sobre outros mundos. Os cientistas avaliam que o conhecimento adquirido pode contribuir para estudos sobre antigos vulcanismos em Marte, Vênus e na Lua da Terra.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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