O empreendedorismo tem sido cada vez mais um objetivo concreto entre os brasileiros. Se antes o padrão de trabalho era somente o da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), agora a abertura de CNPJs como microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs) cresce como um reflexo das mudanças de atuação.
Dados do Sebrae extraídos da Receita Federal mostram que, só no primeiro semestre de 2026, foram criados 2,9 milhões de pequenos negócios, um crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano passado.
A principal categoria que impulsionou esse crescimento foi o de MEIs.
Nos seis primeiros meses do ano, 2,25 milhões de CNPJs foram abertos como MEIs, cerca de 75% do total dos pequenos negócios.
Em seguida estão as microempresas, com 534 mil aberturas e uma fatia de 18%. O restante é distribuído entre as EPPs e outros formatos de empreendimentos.
Na visão de Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, o aumento de novos CNPJs é consequência de um ano de maior dinamismo no setor produtivo.
“Os números mostram que o brasileiro enxerga no empreendedorismo uma alternativa viável de geração de renda, desenvolvimento econômico e inovação”, diz o presidente da entidade.
Onde estão e o que fazem os novos negócios
As novas empresas estão concentradas principalmente na região Sudeste, com 1,5 milhão. O estado de São Paulo é o grande foco, com 890 mil aberturas.
As outras regiões do Brasil têm números mais distribuídos: a Sul foi responsável por 561 mil, a Nordeste teve 474 mil, o Centro-Oeste abriu 296 mil novos pequenos negócios e, por último, está o Norte, com 157 mil CNPJs.
A maioria dos novos MEIs, MEs e EPPs são do setor de serviços, que representa 64,4% do total. O comércio aparece em seguida, com 600 mil aberturas.
Entre as atividades mais procuradas para a abertura de empresas está a de malote e de entrega, com 195 mil CNPJs, que pode incluir motoboys de aplicativos de entregas que optam pela formalização como pessoa jurídica.
No segundo lugar do pódio estão as atividades de publicidade, com 160 mil aberturas. Nesta categoria estão incluídos os trabalhos de marketing digital, gestão de redes sociais, e planejamento de campanhas de propaganda, por exemplo.
Já em terceiro estão os cabeleireiros, com 136 mil.
Na visão do presidente do Sebrae, “esses dados são um reflexo da simplificação de processos e desburocratização para a abertura de novos CNPJs no Brasil”.
No caso de quem é MEI, a formalização é feita totalmente online, pelo Portal do Empreendedor do governo federal. Para as demais categorias, o ideal é contar com a ajuda de um contador.
Mais profissionais PJ?
Cabe destacar que, à medida que o empreendedorismo cresce, também avançam as vagas de emprego com o regime pessoa jurídica.
Nos primeiros três meses de 2026, as vagas PJ cresceram 19% em relação ao ano anterior na Catho, segundo pesquisa divulgada pela plataforma de empregos.
Um levantamento feito pela Redarbor, dona da Catho e do InfoJobs, também destaca que há diferenças entre os setores da economia. Na tecnologia da informação, o modelo PJ domina 90,3% dos profissionais.
Na comunicação e no marketing, os profissionais com CNPJ representam 68% das vagas.
Outros segmentos que também possuem alta participação de profissionais PJs são a saúde e o jurídico, o que pode se refletir no número de aberturas de pequenos negócios no Brasil.
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