As ações de grandes empresas de software ganharam força no mercado, com ServiceNow, Salesforce, Workday, Figma, Datadog e Adobe entre os destaques de alta. O movimento refletiu uma leitura mais calma sobre o impacto da OpenAI no setor: a ideia de que a inteligência artificial derrubaria rapidamente os modelos tradicionais de software perdeu parte da força.
O gatilho para a virada foi a percepção de que a OpenAI pode estar enfrentando mais dificuldades do que o mercado vinha precificando, o que esfriou o temor de uma disrupção imediata sobre fornecedores de tecnologia corporativa. Em vez de enxergar uma substituição em massa, investidores passaram a tratar a IA como um fator de pressão competitiva, mas não como uma sentença automática para as plataformas já consolidadas nas empresas.
A reação, no entanto, foi desigual. Oracle destoou da recuperação do grupo e ficou entre as quedas, porque sua ligação com a OpenAI é mais direta: a companhia depende do avanço da cliente em seu negócio de infraestrutura em nuvem. Se o ritmo de expansão da OpenAI desacelera, parte da tese de crescimento da Oracle também perde tração.
Na prática, o pregão mostrou uma mudança importante de humor: o mercado ainda enxerga riscos para o software, mas já não parece disposto a precificar um cenário em que a IA elimina, de uma vez, a demanda por sistemas corporativos. O resultado foi uma leitura mais seletiva, com investidores distinguindo melhor quem sofre com a narrativa da OpenAI e quem pode se beneficiar do alívio nessa tese.