A música pop dos anos 80 perdeu uma de suas figuras mais marcantes. Bonnie Tyler, a cantora galesa cujo timbre rouco e poderoso definiu toda uma era de power ballads, faleceu aos 75 anos, deixando órfãos de nostalgia milhões de fãs espalhados pelo mundo. Originária de Swansea, no País de Gales, a artista transformou uma voz que poderia ser considerada improvável em uma arma de destruição em massa das pistas de dança.
O planeta inteiro conhece "Total Eclipse of the Heart", aquela epopeia musical de quase oito minutos que se tornou sinônimo de drama, bolinhas de cristal em videoclipes e adolescentes querendo ser atores. Lançada em 1983, a faixa não apenas consolidou Bonnie Tyler como rainha indiscutível do balada épica, mas criou um padrão estético que ainda hoje define o imaginário visual do pop ocidental. Mas sua genialidade não parou ali. "Holding Out for a Hero", que estourou na trilha sonora de "Footloose", provou que ela era muito mais que uma cantora de sucessos únicos — era uma artista versátil, capaz de navegar entre o rock puro e as confeitarias melódicas do mainstream.
Competidora da Eurovisão e exploradora de múltiplos estúdios de gravação espalhados pela Europa, Tyler construiu uma carreira que desafiou as limitações impostas às mulheres na indústria fonográfica. Não era a cantora mais convencional, tampouco a mais bela aos olhos dos padrões da época, mas foi exatamente isso que a tornou inesquecível. Sua voz áspera, quase roçando a imperfeição, era a perfeição que a indústria não sabia que precisava.