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Aegea quer aumento de capital de até R$ 2,1 bilhões, com apoio da Itaúsa (ITSA4); por que a dívida preocupa?

Redação Recifes
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Aegea quer aumento de capital de até R$ 2,1 bilhões, com apoio da Itaúsa (ITSA4); por que a dívida preocupa?
Foto: Jakub Zerdzicki / Pexels

A Aegea, que não tem ações negociadas na bolsa, quer aumentar seu capital. A companhia de saneamento convocou uma assembleia geral extraordinária (AGE) para deliberar sobre um aumento de capital entre R$ 1,5 bilhão a R$ 2,1 bilhões. A assembleia foi marcada para 28 de julho.

O endividamento da companhia, que aumentou no quarto trimestre do ano passado, levantou alertas entre os investidores do mercado de crédito e levou a rebaixamentos de ratings por agências de classificação de risco.

Em fato relevante, a empresa, uma das maiores do setor, afirma que o aumento deve reforçar a estrutura de capital e acelerar seu processo de redução de dívida. Se aprovada, a capitalização ocorrerá mediante a emissão de ações ordinárias. O preço por ação será o mesmo do último aumento de capital integralizado ocorrido no primeiro trimestre de 2026, de R$ 55,29.

A holding Itaúsa (ITSA4), acionista da Aegea com uma participação de 13% do capital total, comunicou ao mercado que, a depender dos demais acionistas, poderá subscrever no prazo de 30 dias montante entre R$ 730 milhões a R$ 1,5 bilhão na operação.

Além da Itaúsa, no quadro acionário da Aegea estão ainda a Equipav, com 52% de participação, e o fundo soberano de Cingapura (GIC), com 35%.

Os recursos da Itaúsa para a capitalização devem sair da disponibilidade de caixa da companhia, sem efeitos relevantes esperados em seu resultado neste exercício social.

“O aumento de participação acionária da Itaúsa na Aegea está alinhado à sua estratégia de alocação eficiente de capital, reforçando seu compromisso contínuo com a criação de valor aos acionistas, investidas e à sociedade”, diz a holding.

Presente em 890 cidades e atendendo 39 milhões de pessoas, a companhia é uma gigante no seu setor. No ano passado, teve receitas de R$ 18,3 bilhões, alta de 20% em relação ao ano anterior.

O Ebitda cresceu para R$ 10,3 bilhões, mas o lucro líquido foi de R$ 856 milhões, queda de 31%, com aumento das despesas financeiras.

Isso porque a dívida líquida da Aegea chegou a R$ 47 bilhões, com alavancagem de 4,5 vezes em relação ao Ebitda.

Em junho, a agência de classificação de risco Fitch Ratings reduziu a classificação da Aegea de BB- para B+, definindo a perspectiva como estável.

A Fitch afirmou que a revisão da nota reflete “uma estrutura financeira mais frágil e uma menor flexibilidade financeira em função da expectativa de desalavancagem mais lenta e dos elevados custos de financiamento”.

A agência de classificação afirmou esperar que a alavancagem financeira da Aegea em relação ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado continue em cerca de 5 vezes e que a alavancagem líquida siga acima de 4 vezes.

A companhia, ao lado da Itaúsa e de seus outros acionistas, estava na disputa por uma fatia da Copasa (CSMG3).

No entanto, ela saiu da corrida e não apresentou uma proposta pela fatia de 30% da empresa de saneamento de Minas Gerais. As empresas citaram na ocasião “compromisso com disciplina na alocação de capital”.

Assim, abriu espaço para a Equatorial (EQTL3), que acabou se tornando a acionista de referência.

O otimismo com a expansão agressiva da companhia — que cogitava a abertura de capital (IPO) em bolsa neste ano — deu lugar à preocupação com sua saúde financeira e capacidade de pagamento das dívidas.

A mudança de humor dos credores foi selada após a Aegea postergar sucessivas vezes a divulgação de seu balanço auditado de 2025, por causa de pedidos mais conservadores da auditoria da KPMG.

O CEO da Aegea, Radamés Casseb, afirmou na teleconferência de resultados que os ajustes promovidos no balanço foram estritamente contábeis e sem efeito imediato no caixa da companhia.

Para os agentes financeiros, entretanto, o episódio soou como um alerta para a governança da maior empresa privada de saneamento do país.

O atraso e a revisão de resultados passados provocaram uma reação em cadeia nas agências de classificação de risco antes da divulgação dos números, que aconteceu em 10 de abril.

No mercado de crédito, toda essa crise levantou dúvidas sobre a capacidade da Aegea de honrar suas dívidas. No último balanço, a empresa divulgou um aumento considerável em seu endividamento.

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Artigo originalmente publicado em www.seudinheiro.com
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