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Além das palavras: UEFA e FA precisam transformar críticas à Fifa em ação real

Redação Recifes
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Além das palavras: UEFA e FA precisam transformar críticas à Fifa em ação real
Foto: Omar Ramadan / Pexels

Há um padrão que se repete no futebol mundial: dirigentes europeus sobem ao palanque, criticam a Fifa com eloquência, e o jogo segue como se nada houvesse mudado. Desta vez, porém, o cenário pode ser diferente. A UEFA e a Federação Inglesa (FA) intensificaram as críticas ao projeto da entidade máxima do futebol mundial de comercializar participações da Copa do Mundo a investidores privados — um movimento que, segundo opositores, ameaça a essência do torneio e abre precedentes perigosos para a governança esportiva global.

O plano da Fifa, que envolveria a venda de fatias comerciais ligadas à competição mais assistida do planeta, gerou alarme entre as principais federações europeias. A FA se posicionou publicamente ao lado da UEFA na resistência a essa proposta, argumentando que transformar a Copa em ativo financeiro negociável compromete tanto a integridade esportiva quanto o controle que as confederações nacionais historicamente exerceram sobre o torneio. Para os críticos, trata-se de um movimento que prioriza receita de curto prazo em detrimento da sustentabilidade do modelo competitivo.

O problema central, no entanto, não é a ausência de críticas — é a ausência de consequências. A história recente do futebol europeu está repleta de momentos em que declarações contundentes se dissolveram diante da realpolitik das negociações nos bastidores da Fifa. A ameaça real que a UEFA pode exercer passa por instrumentos concretos: restrições à participação de clubes em competições intercontinentais, boicotes coordenados a votações estratégicas ou até a construção de uma frente unificada com a CONMEBOL para isolar politicamente os projetos mais controversos da entidade presidida por Gianni Infantino.

Especialistas em governança esportiva apontam que o momento é propício para uma ruptura mais profunda. Com o crescente descontentamento de federações africanas e asiáticas em relação à distribuição de receitas da Fifa, a UEFA tem uma janela rara para construir coalizões que vão além do eixo europeu. Mas isso exige diplomacia ativa, não apenas comunicados à imprensa. A FA, com seu peso histórico no futebol mundial, poderia liderar esse esforço de articulação — desde que esteja disposta a abrir mão do conforto das declarações e assumir os riscos do confronto institucional.

O futebol europeu demonstrou, nos últimos anos, que é capaz de resistir a projetos que considera lesivos — a Superliga europeia é o exemplo mais recente disso. Falta agora canalizar essa mesma energia para o plano internacional. A Copa do Mundo pertence ao imaginário coletivo de bilhões de pessoas; vendê-la em pedaços para fundos de investimento não é apenas uma decisão comercial — é uma escolha sobre o tipo de esporte que queremos legar às próximas gerações. E nisso, palavras, por mais bem articuladas que sejam, não bastam.

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