Em uma carta pastoral dirigida aos fiéis, o arcebispo Samuel Kleda, de Douala, voltou a chamar atenção para a situação das prisões em Camarões. O religioso afirma que o sistema penitenciário do país convive com violações graves, entre elas detenções sem base legal, pessoas dadas como desaparecidas e instalações incapazes de assegurar condições mínimas de vida.
Na mensagem, o arcebispo sustenta que o problema vai além da superlotação. Segundo ele, o quadro revela uma crise humanitária que afeta presos, famílias e também a credibilidade das instituições públicas. A denúncia insere a Igreja local no debate sobre justiça, legalidade e proteção dos direitos fundamentais.
Kleda pede que as autoridades assumam responsabilidade e enfrentem as causas dos abusos com transparência e firmeza. Para ele, não é aceitável que a prisão se transforme em espaço de humilhação, sofrimento e opacidade administrativa, especialmente quando há suspeitas de detenções arbitrárias e de pessoas sem paradeiro conhecido.
Ao levantar o tema, o arcebispo reforça uma mensagem recorrente no magistério social da Igreja: a defesa da dignidade humana não termina quando alguém entra no sistema penal. Para a comunidade católica de Douala, a carta funciona como apelo moral e também como cobrança pública por reformas que tragam justiça, fiscalização e respeito à vida.