Enquanto os hermanos brilham na Copa do Mundo 2026, a Argentina acaba de ganhar quatro novos restaurantes com uma estrela Michelin. A terceira edição do guia no país foi revelada nesta segunda-feira (13), e elevou para 14 o número de estabelecimentos estrelados.
A edição deste ano, porém, ficou marcada por um contexto diferente. Pela primeira vez desde que o Guia Michelin desembarcou na Argentina, em 2024, a cerimônia aconteceu sem o financiamento do governo federal.
A gestão de Javier Milei retirou no início deste ano o apoio ao projeto como parte de uma revisão dos gastos públicos. Ele também defende a criação de um guia gastronômico nacional para promover restaurantes de todas as províncias do país.
Mesmo assim, Buenos Aires e Mendoza decidiram manter a parceria com o Michelin. As duas administrações locais assumiram os custos da edição de 2026, de cerca de US$ 400 mil, e viabilizaram a realização da cerimônia, que ocorreu em formato online.
Ao longo do último ano, inspetores anônimos percorreram restaurantes das duas cidades para avaliar, de forma sigilosa, a qualidade dos cardápios e da experiência oferecida pelas casas. O Seu Dinheiro já contou como funcionam os bastidores dessa profissão, frequentemente descrita como "o melhor trabalho do mundo".
Mendoza lidera a nova safra de estrelados
Dos quatro restaurantes que conquistaram sua primeira estrela Michelin, três ficam em Mendoza, província conhecida pela produção de vinhos e que, aos poucos, também se consolida como um dos principais destinos gastronômicos da América do Sul. Os novos estrelados são:
- Han, em Buenos Aires;
- Cal, em Mendoza;
- Centauro, em Mendoza;
- La Vida, em Mendoza.
Ao comentar a seleção deste ano, o diretor internacional do Guia Michelin, Gwendal Poullennec, afirmou que Mendoza vive um momento especialmente forte do ponto de vista gastronômico.
Segundo ele, os restaurantes da região combinam técnicas tradicionais, como o uso do fogo e das brasas, com uma cozinha cada vez mais sofisticada. Além disso, valorizam ingredientes nacionais e harmonizações com vinhos locais.
Um restaurante coreano e um chef que fez história
Entre as novidades, o Han chamou atenção por levar uma estrela à culinária coreana contemporânea em Buenos Aires. Instalado em Villa Crespo, o restaurante do chef Pablo Park conquistou os inspetores com menus degustação que reinterpretam receitas tradicionais.
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Entre os destaques do menu está o Mandu Cerimonial, um ravióli coreano recheado com língua bovina preparada em jang-jorim, servido com kimchi branco e batata-doce roxa.
Já em Mendoza, o restaurante Cal protagonizou uma das principais histórias da noite. Além da estrela Michelin, o restaurante recebeu uma Estrela Verde pelo compromisso com a agricultura ecológica e biodinâmica. A distinção foi dada mesmo depois do guia anunciar que vai pôr fim à estrela. Além disso, seu chef, Enzo González Petra, foi eleito Jovem Chef do Ano, tornando-se o profissional mais premiado da cerimônia.
Aramburu continua sozinho no topo
Apesar da chegada dos novos estrelados, o topo da gastronomia argentina permaneceu inalterado. O Aramburu, localizado no bairro da Recoleta, em Buenos Aires, renovou suas duas estrelas Michelin e segue como o único restaurante argentino a alcançar esse patamar.
A casa, comandada pelo chef Gonzalo Aramburu, também viu seu maître, Nicolás Cordeiro, receber o Prêmio de Serviço pela excelência no atendimento.
Antes de encerrar a premiação, o Guia Michelin também anunciou duas novas entradas na categoria Bib Gourmand, que reconhece restaurantes com excelente relação entre qualidade e preço. As escolhidas foram Chuchú e Garabato, ambas em Buenos Aires.
Além disso, outros 13 estabelecimentos passaram a integrar a lista de recomendados. Com isso, a seleção de 2026 reúne 89 restaurantes reconhecidos em todo o país.
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