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As tarifas dos EUA sobre o Brasil são uma pílula amarga para os produtores de açúcar e etanol

Redação Recifes
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As tarifas dos EUA sobre o Brasil são uma pílula amarga para os produtores de açúcar e etanol
Foto: Mikhail Nilov / Pexels

Os produtores brasileiros de etanol e açúcar lamentaram, nesta quinta-feira (16), a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Para o setor, a medida representa um retrocesso na relação comercial entre os dois países. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), os Estados Unidos compraram 253 milhões de litros de etanol brasileiro em 2025, em um total de US$ 163 milhões (R$ 832,93 milhões).

Entenda o contexto

Com isso, o país foi o segundo principal destino das exportações do combustível, atrás apenas da Coreia do Sul. No caso do açúcar, os EUA importaram 420 mil toneladas do produto brasileiro em 2025. O volume, porém, ficou bem abaixo das 1,12 milhão de toneladas embarcadas em 2024.

Em nota, a Unica afirmou que a nova tarifa ignora as diferenças existentes na relação comercial entre os dois países. A entidade destacou que o açúcar brasileiro já enfrenta tarifas e limitações para entrar no mercado americano, enquanto o Brasil, segundo ela, não impõe restrições desse tipo ao etanol dos Estados Unidos. A tarifa adicional de 25% foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e deve entrar em vigor em 22 de julho.

O governo americano justificou a medida alegando que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais - acusação rejeitada pelo governo brasileiro. Quais os argumentos do USTR? Entre os argumentos apresentados pelos EUA está a dificuldade de acesso ao mercado brasileiro de etanol.

Dados do próprio governo americano mostram que as exportações de etanol dos Estados Unidos para o Brasil vêm caindo nos últimos anos. A União Nacional do Etanol de Milho (Unem), por sua vez, afirmou que a tarifa brasileira aplicada ao etanol importado segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e não descumpre nenhum acordo bilateral firmado com os Estados Unidos. A entidade também explicou que a queda nas importações de etanol americano ocorreu porque a produção nacional de etanol de milho cresceu de forma acelerada nos últimos anos, aumentando a oferta do combustível no mercado brasileiro e reduzindo a necessidade de importações.

Tradicionalmente, o etanol brasileiro era produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar. Nos últimos anos, porém, a produção de etanol de milho ganhou força e passou a ocupar um espaço cada vez maior no setor. Para Renato Cunha, presidente-executivo da associação NovaBio, que representa produtores de açúcar e bioenergia, a nova tarifa mostra que os Estados Unidos querem ampliar as vendas de etanol para o Brasil sem oferecer, em troca, melhores condições para a entrada do açúcar brasileiro no mercado americano. "Eles querem vender etanol para um país que não precisa importar esse produto.

Isso não é negociação, é imposição", afirmou Cunha em entrevista.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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