Assaí (ASAI3) dispara 15%, Braskem (BRKM5) afunda 16%: quem ganhou e quem perdeu na bolsa nesta semana
O Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa brasileira, acumulou alta de 2,98% nesta semana, encerrando a última sessão aos 173.295,14 pontos.
O movimento foi impulsionado por dois principais motivos. Primeiro, pelos dados de inflação abaixo do esperado no Brasil e nos Estados Unidos. E segundo, por uma rotação global de investimentos após a realização de lucros em ações de tecnologia no exterior.
No entanto, a alta do índice não significa que todos os investidores tiveram motivos para comemorar. Enquanto ações ligadas ao consumo e a serviços dispararam, papéis de commodities e empresas pressionadas por riscos específicos terminaram a semana no vermelho.
As 5 ações que mais subiram no Ibovespa
A liderança da semana ficou com o Assaí (ASAI3), que avançou 15,42%. Isso porque a ação foi beneficiada pelo alívio nos dados de inflação domésticos e pela queda dos juros futuros, movimento que tende a favorecer empresas mais sensíveis ao consumo.
O desempenho também veio após avaliação do Citi de que a inflação de alimentos ainda tem efeito limitado sobre os atacarejos. Além disso, a administração da companhia indicou, durante evento do banco, que as tendências do segundo trimestre devem ser apenas marginalmente melhores que as do primeiro.
Na sexta-feira (26), o Assaí também pagou juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 0,104 por ação, considerando os acionistas posicionados em 6 de janeiro de 2026. Veja as cinco maiores altas do Ibovespa na semana:
CódigoEmpresaVariação semanalASAI3Assaí ON15,42%VIVA3Vivara ON12,90%MBRF3MBRF ON11,91%CEAB3C&A Modas ON11,20%YDUQ3Yduqs ON10,83%
As 5 ações que mais caíram no Ibovespa
Do outro lado da tabela, a Braskem (BRKM5) voltou a liderar as perdas do Ibovespa pela segunda semana consecutiva. Os papéis da petroquímica caíram 16,67% no período e chegaram a renovar a mínima intradia do ano, a R$ 5,88, nesta sexta-feira (26).
A pressão aumentou depois que a companhia informou a abertura de um processo de mediação com credores financeiros e protocolou um pedido de tutela de urgência cautelar na Justiça de São Paulo para preservar as negociações sobre sua estrutura de capital.
De acordo com a Braskem, as medidas têm escopo exclusivamente financeiro e não afetam fornecedores, clientes ou demais obrigações operacionais. Ainda assim, o mercado seguiu receoso. Na quinta-feira (25), a empresa tornou públicos documentos trocados com um grupo de detentores de bonds e debêntures durante as negociações, mostrando que um acordo entre as partes ainda parece distante.
Na esteira dos desdobramentos, o Citi rebaixou a recomendação para as ações da Braskem de neutra/alto risco para venda/alto risco. O banco também cortou o preço-alvo dos papéis de R$ 11,50 para R$ 4,50, o que implica potencial de queda de 28% em relação ao último fechamento. Veja as cinco maiores quedas do Ibovespa na semana:
CódigoEmpresaVariação semanalBRKM5Braskem PN-16,67%CSNA3CSN ON-10,08%USIM5Usiminas PNA-9,81%SUZB3Suzano ON-7,22%PRIO3PRIO ON-6,84%
Entenda o que mexeu com a bolsa brasileira nesta semana
O alívio veio principalmente da inflação. No Brasil, o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, desacelerou para 0,41% em junho, depois de subir 0,62% em maio. O resultado veio abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,44%.
A leitura foi vista como mais benigna, especialmente pela melhora em componentes de serviços, um dos pontos de maior atenção do Banco Central. Ainda assim, o sinal amarelo não desapareceu: em 12 meses, o IPCA-15 acelerou de 4,64% para 4,80%.
Além disso, as expectativas de inflação seguem desancoradas. Segundo o Relatório de Política Monetária do Banco Central, a chance de estouro da meta de inflação em 2026 subiu de 30% em março para 79% em junho.
A ata do Copom também entrou no radar dos investidores. O documento manteve aberta a possibilidade de continuidade do ciclo de cortes da Selic, embora o Banco Central tenha reforçado que o balanço de riscos para a inflação segue assimétrico para cima.
E os Estados Unidos?
Nos Estados Unidos, o dado mais importante da semana foi o PCE, índice de preços preferido do Federal Reserve (Fed). O indicador subiu 0,4% em maio, repetindo o ritmo de abril e ficando abaixo da alta de 0,5% esperada por economistas consultados pela Dow Jones. Em 12 meses, o PCE acelerou para 4,1%, em linha com as projeções.
O número trouxe alívio aos Treasuries, os títulos do Tesouro norte-americano, e contribuiu para o enfraquecimento do dólar no mercado global. Ainda assim, a aposta majoritária segue sendo de alta nos juros pelo Fed a partir da reunião de setembro, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.
Oriente Médio voltou ao radar
A semana também foi marcada por idas e vindas nas tensões do Oriente Médio. No início do período, avanços nas conversas entre Estados Unidos e Irã trouxeram algum alívio aos mercados e ajudaram a derrubar os preços do petróleo.
Mas o clima mudou a partir de quinta-feira (24), quando a Guarda Revolucionária do Irã atacou um navio cargueiro com bandeira de Cingapura, segundo o Wall Street Journal. Além disso, na sexta-feira (25), o país também interceptou três embarcações.
Em seguida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã lançou quatro drones de ataque no Estreito de Ormuz, sendo que um deles teria atingido o convés superior de um navio de carga.
De acordo com o site Axios, os Estados Unidos também conduziram ataques no Estreito de Ormuz, depois confirmados pelo Comando Central do Exército norte-americano como retaliação à ofensiva iraniana. Portanto, esse pano de fundo manteve os investidores atentos ao petróleo e ao risco geopolítico, mesmo em uma semana positiva para a bolsa brasileira.
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