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Asteroide que matou dinossauros pode ter provocado incêndios em todo o planeta

Redação Recifes
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Asteroide que matou dinossauros pode ter provocado incêndios em todo o planeta
Foto: Jean-Paul Wettstein / Pexels

Há 66 milhões de anos, o choque do asteroide Chicxulub contra a Península de Yucatán, no México, pode ter desencadeado uma sequência de eventos ainda mais devastadora do que se imaginava. Um novo estudo aponta que a poeira lançada à atmosfera após a colisão teria ampliado o calor produzido pela reentrada de fragmentos do impacto, favorecendo incêndios globais.

A pesquisa foi conduzida por cientistas liderados por Brandon Johnson, pesquisador de ciência planetária da Universidade Purdue, e publicada nesta terça-feira (28) no periódico Journal of Geophysical Research: Biogeosciences. O trabalho analisou como os resíduos liberados pelo impacto interagiram com a atmosfera e alteraram as condições na superfície terrestre.

Os resultados sugerem que a combinação entre partículas rochosas em queda e uma camada planetária de poeira teria elevado a intensidade térmica o suficiente para causar queimadas espontâneas e eliminar grande parte dos animais expostos ao ambiente, reforçando a hipótese de que o próprio impacto esteve no centro da extinção em massa.

Poeira atmosférica pode ter ampliado o poder destrutivo do impacto

Quando o asteroide, com cerca de 10 quilômetros de diâmetro, atingiu a região que hoje corresponde ao México, a energia liberada vaporizou rochas e lançou uma enorme quantidade de material para a atmosfera. Parte desse material se condensou em pequenas esferas rochosas, que retornaram ao planeta como partículas aquecidas pela passagem pelo ar.

Pesquisas anteriores já indicavam que esses fragmentos poderiam produzir um intenso pulso de calor ao redor do planeta. No entanto, a estimativa era de que esse fenômeno seria capaz principalmente de aquecer a superfície e afetar animais sem proteção, mas não necessariamente provocar incêndios generalizados.

A descoberta de uma camada de poeira extremamente fina associada ao período da extinção dos dinossauros mudou essa interpretação. Esse material teria origem em rochas vaporizadas que permaneceram suspensas na atmosfera em vez de se transformarem nas partículas maiores que voltaram ao solo.

A partir dessa evidência, Johnson e seus colaboradores combinaram simulações anteriores do impacto com dados geológicos para calcular a quantidade de poeira presente no céu após a colisão e avaliar sua influência sobre o calor liberado pelos fragmentos em queda.

O estudo concluiu que a presença dessa camada de poeira teria aumentado em aproximadamente três vezes e meia a intensidade do aquecimento na superfície em comparação com o efeito causado apenas pelas partículas rochosas. Segundo os pesquisadores, esse acréscimo seria suficiente para iniciar incêndios florestais em escala mundial.

Estamos no domínio em que poderíamos estar essencialmente eliminando tudo na primeira uma ou duas horas”, afirmou Brandon Johnson, cientista planetário da Universidade Purdue e autor principal do estudo, ao comentar a dimensão do evento térmico provocado pelo impacto.

A nova análise também reacende uma discussão antiga entre pesquisadores: se a extinção dos dinossauros foi resultado principalmente do choque inicial do asteroide ou das consequências ambientais que vieram depois.

O mesmo fenômeno pode ter causado fogo e inverno prolongado

A poeira que teria intensificado o calor logo após o impacto também pode ter contribuído para outro efeito extremo: um longo período de resfriamento global. Após o fim da fase de aquecimento e das grandes queimadas, as partículas suspensas na atmosfera teriam reduzido a quantidade de luz solar que chegava ao planeta.

De acordo com Johnson, o mesmo mecanismo poderia explicar efeitos aparentemente opostos. A poeira teria funcionado como uma camada isolante capaz de reter calor inicialmente, mas depois teria bloqueado a energia do Sol, favorecendo um inverno global que poderia durar anos ou até décadas.

Os autores do estudo consideram que os incêndios em escala planetária podem ter sido o principal fator de mortalidade, embora reconheçam que registros geológicos mais completos ainda são necessários para determinar a extensão real das queimadas.

Até agora, os indícios mais fortes de incêndios relacionados ao evento de extinção foram encontrados na América do Norte. Pesquisadores afirmam que novas evidências poderão mostrar se outras regiões do planeta sofreram consequências semelhantes ou se os efeitos variaram conforme a distância do local do impacto.

Sobreviventes podem revelar por que algumas espécies resistiram

A forma como diferentes animais enfrentaram o desastre pode ajudar a explicar a recuperação da vida após a maior ruptura ecológica registrada no período dos dinossauros. Para pesquisadores, entender se determinadas espécies morreram rapidamente pelo calor ou sobreviveram ao longo período de escuridão é essencial para compreender a evolução dos ecossistemas após grandes catástrofes.

Alfio Alessandro Chiarenza, paleontólogo da University College London que não participou do estudo, destacou que ainda faltam registros capazes de confirmar incêndios completamente globais. Segundo ele, a descoberta desses vestígios poderia esclarecer quais características biológicas ajudaram alguns grupos a sobreviver.

O pesquisador também afirmou que identificar quais animais resistiram imediatamente após o impacto e quais desapareceram poderia indicar por que certos grupos atravessaram a crise enquanto os dinossauros não conseguiram.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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