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Baleias-francas em SC: temporada 2025 desperta dúvidas entre pesquisadores

Baleias-francas em SC: temporada 2025 desperta dúvidas entre pesquisadores

Para quem acompanha de perto o espetáculo anual das baleias-francas no litoral de Santa Catarina, julho costuma chegar carregado de expectativa. É quando os primeiros mamíferos marinhos começam a surgir nas baías e enseadas do sul do estado, atraindo olhares de pesquisadores, moradores e turistas. Mas a temporada de 2025 — que se estende, em condições normais, de julho a novembro — começará envoluta em incertezas que preocupam quem dedica a vida a estudar esses gigantes do mar.

O alerta vem do Projeto ProFranca, referência no monitoramento das baleias-francas-austrais (Eubalaena australis) no Brasil. Segundo Eduardo Renault, gerente de pesquisa do programa, o ciclo reprodutivo da espécie passou por alterações perceptíveis nos últimos anos, dificultando previsões que antes eram feitas com mais segurança. Por trás dessas mudanças, há uma variável de peso: a menor disponibilidade de alimento nas águas subantárticas, onde as baleias se alimentam antes de migrar para o Brasil. Sem reservas energéticas suficientes, o comportamento reprodutivo dos animais pode ser impactado diretamente.

As baleias-francas não se alimentam durante a temporada reprodutiva no Brasil — chegam ao litoral catarinense exclusivamente para acasalar e dar à luz. Toda a energia necessária para esse período é acumulada meses antes, nas frias águas do Atlântico Sul, ricas em copépodos e krill. Se esse estoque de alimento enfraquece por alterações oceânicas ligadas às mudanças climáticas, as fêmeas podem chegar debilitadas ou até optar por adiar a reprodução — o que reduz o número de avistamentos e compromete a recuperação populacional da espécie.

Do ponto de vista do ecoturismo, a incerteza acende um sinal amarelo, mas não apaga o interesse pela temporada. Municípios como Imbituba, Garopaba e Florianópolis constroem parte de sua identidade turística em torno desses encontros com as baleias, e a observação responsável — feita a distância segura e sem perturbação aos animais — continua sendo uma das experiências mais marcantes que o litoral sul brasileiro oferece. A recomendação dos pesquisadores é clara: respeitar os protocolos de avistamento é ainda mais importante em anos de incerteza, para não agravar o estresse sobre animais que já enfrentam um ambiente mais desafiador.

A temporada que se aproxima será também uma oportunidade científica valiosa. O comportamento das baleias-francas funciona como um termômetro do estado de saúde dos oceanos do hemisfério sul. Observar se chegam mais tarde, em menor número ou com menos filhotes ajudará os pesquisadores a calibrar modelos e entender como as mudanças nos ecossistemas marinhos afetam espécies de topo. Para o visitante curioso, o convite permanece de pé: vá ao litoral catarinense, leve binóculos, respeite a natureza — e esteja aberto à possibilidade de que o oceano, desta vez, guarda surpresas.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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