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Benedito Ruy Barbosa transformou o Brasil rural em tragédia épica

Redação Recifes
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Benedito Ruy Barbosa transformou o Brasil rural em tragédia épica

Benedito Ruy Barbosa fez da novela um espaço para narrar o Brasil profundo com ambição literária. Em vez de tratar o interior como cenário decorativo, ele o colocou no centro do drama, dando às disputas por terra, aos laços familiares e às violências do campo uma dimensão de tragédia clássica.

Esse impulso aparece com força em "Velho Chico", sua última novela assinada na TV Globo. Nos capítulos finais, a trajetória do coronel Saruê, vivido por Antonio Fagundes, ganha contornos quase míticos: depois de perder o filho Martim, interpretado por Lee Taylor, ele reage de forma desesperada, num gesto que traduz desamparo, culpa e ruína.

É nesse tipo de cena que se reconhece a assinatura de Benedito. Sua escrita costuma combinar melodrama popular, observação social e uma cadência solene, como se o cotidiano brasileiro fosse sempre atravessado por forças maiores do que seus personagens conseguem controlar. Por isso, suas histórias muitas vezes avançam como sagas, com heróis e vilões presos a um destino que parece anterior a eles.

Ao longo da carreira, ele ajudou a ampliar o alcance simbólico da telenovela ao tratar a paisagem, a família e a luta pela sobrevivência como matéria de grandeza dramática. Em sua obra, o Brasil aparece não apenas como assunto, mas como personagem central, movido por paixões, perdas e conflitos que continuam ressoando muito além do capítulo final.

Artigo originalmente publicado em redir.folha.com.br
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