Por décadas, o Biotônico Fontoura ocupou um lugar curioso na memória brasileira: era vendido como fortificante, aparecia em muitas casas e virou parte da rotina de famílias que buscavam recuperar o apetite ou reforçar a saúde. Lançado em 1910, o produto ganhou enorme popularidade ao longo do século 20 e acabou se tornando quase um ícone doméstico.
A história do fortificante também se mistura com a cultura do país. Monteiro Lobato ajudou a projetar a imagem do Biotônico em uma época em que a publicidade tinha força decisiva na construção de hábitos e marcas. Assim, o produto passou a ser associado não apenas ao cuidado com o corpo, mas também a uma ideia de modernidade e confiança na medicina do período.
O que muita gente desconhece é que a fórmula original continha álcool: cerca de 9,5% de etanol. Essa característica, comum em vários preparados antigos, refletia práticas de uma época em que tônicos e estimulantes eram formulados de maneira muito diferente das versões atuais. Com o avanço das regras sanitárias, esse tipo de composição deixou de ser permitido.
Há cerca de 25 anos, o governo federal proibiu que fortificantes, tônicos e estimulantes de apetite mantivessem álcool na fórmula. A mudança obrigou o Biotônico Fontoura a se adaptar, marcando o fim de uma era e a transformação de um produto que, para muitas gerações, foi mais do que um remédio: foi um pedaço da vida cotidiana brasileira.