O primeiro semestre de 2026 foi turbulento para as criptomoedas: guerras em curso, juros mais altos e liquidez mais escassa derrubaram o bitcoin (BTC) em mais de 20% no ano. E é justamente esse cenário de preços deprimidos que abre espaço para oportunidades de entrada na segunda metade do ano.
A conclusão é de Henry Oyama, diretor de estratégia de Investimentos da Hashdex, e de Valter Rebelo, especialista em criptoativos da Empiricus Research. Ambos participaram do programa Onde Investir no segundo semestre, do Seu Dinheiro, e concordam: quem ainda não tem exposição em criptomoedas deveria repensar essa posição.
Mas a dupla avisa que o caminho mais seguro para o investidor pessoa física é começar pela diversificação, não por uma aposta isolada.
Comece (ou reforce) a posição via índices
Para quem ainda não investe em criptomoedas, Oyama defende um caminho mais conservador dentro do próprio universo dos ativos digitais: entrar por meio de uma cesta diversificada — um índice — em vez de concentrar recursos em um único ativo.
O argumento é simples: como é difícil prever com precisão o preço de qualquer criptoativo isoladamente, um índice reduz o risco de errar na escolha do vencedor e ainda captura o movimento do mercado como um todo.
“Defendo muito o início dessa posição por meio de um beta, de uma cesta, de um índice que tenha sua diversificação, que tem a exposição, mesmo que seja de cauda”, diz Oyama.
Rebelo, por sua vez, chama atenção para ativos que estão performando bem mesmo com a atual queda de preços do bitcoin.
O principal exemplo citado pelo analista da Empiricus é a Hyperliquid (HYPE), uma corretora descentralizada que converte o volume de negociação em taxas — e essas taxas, em recompras (buybacks) do próprio token.
Segundo Rebelo, a estrutura da Hyperliquid é mais saudável do que a de muitos tokens lançados desde 2023, com pouca diluição e baixa dependência de fundos de venture capital.
“É uma estrutura muito melhor, muito mais saudável e um negócio que tem expandido e crescido em usuários”, diz.
O ativo já foi indicado três vezes pela Empiricus e também compõe a carteira automatizada Crypto Momentum da casa, voltada a estratégias quantitativas.
Esta reportagem faz parte da série sobre Onde Investir no 2º semestre de 2026:
Investimentos no exterior
Criptomoedas (você está aqui)
O bitcoin saiu da máxima de US$ 126 mil em outubro do ano passado para operar na casa dos US$ 60 mil hoje, uma queda de mais de 50%. Mas nem por isso deve ser deixado de lado, segundo a dupla de especialistas.
Para o executivo da Hashdex, a maior criptomoeda do mundo mostra hoje “uma assimetria bastante grande” — ou seja, o potencial de ganho parece maior do que o risco de perda no patamar atual de preços.
Para quem olha a queda do bitcoin com desconfiança, ele provoca uma reflexão: “se o bticoin estivesse em US$ 120 mil, você estaria animado. Será que há US$ 60 mil você não deveria estar reconsiderando ou considerando ainda mais a compra?”
“Lógico que o mercado vai ser desafiador para tomar essa decisão, mas é justamente nessas horas que vêm as oportunidades. A gente acredita que é o momento de revisitar o portfólio e, se você não tem uma posição, estar zerado é um custo alto”, afirma Oyama.
Questionados sobre até onde os preços do BTC podem chegar, nenhum dos dois especialistas que participaram do Onde Investir se arriscou a cravar um número exato — mas ambos enxergam a relação entre risco-retorno favorável para quem topa se expor à volatilidade do ativo.
Rebelo estima que o cenário atual oferece uma relação de risco-retorno de duas vezes, ou seja, o potencial de ganho seria o dobro do potencial de perda.
Na conta do analista da Empiricus, o pior cenário levaria o bitcoin a seguir no caminho dos US$ 49 mil — o próximo grande suporte técnico, segundo sua análise.
Já no cenário mais otimista, ele vê espaço para o ativo negociar até perto de US$ 90 mil, embora reconheça que essa segunda estimativa seja mais especulativa que a primeira.
“Eu acho que é razoável a gente negociar nos US$ 90.000 até o final do ano, mas não posso dizer que sei onde o preço vai estar no dia 31 de dezembro. Fato é que o cenário risco-retorno está em favor de quem quer tomar risco no bitcoin”, diz Rebelo.
Oyama prefere não trabalhar com projeções de preço específicas, mas destaca um dado técnico: análises históricas de regressão mostram que, quando o bitcoin atingiu a banda inferior da sua faixa de preços — como parece estar acontecendo agora —, os 12 meses seguintes costumaram trazer retornos expressivos.
“Do ponto de vista de sinal, esse é o sinal”, disse. “Geralmente quando se está falando de um ativo com assimetria de retorno, esse é um excelente ponto de entrada, justamente porque tudo que está de ruim na teoria está precificado”, acrescentou.
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