Depois de meses falando de piora na inflação, eis que o mês de junho veio com uma boa notícia: a alta dos preços diminuiu e o IPCA, que é o termômetro oficial da inflação no Brasil, do mês subiu apenas 0,16%. O resultado foi uma revisão de expectativas pelos agentes financeiros, principalmente em relação aos juros no final do ano.
A desaceleração do mês passado surpreendeu os agentes financeiros. O consenso era de alta de 0,31%, enquanto alguns estimavam 0,36% de aumento em junho, com desaceleração gradual apenas nos próximos meses.
Com esse resultado, a inflação acumulada nos últimos 12 meses baixou de 4,72% para 4,64% e se aproxima novamente do teto da meta, de 4,5%.
Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 14,25% ao ano. Com o novo dado, alguns bancos revisaram para baixo a projeção da Selic ao final do ano. Dois exemplos são o Bank of America (BofA) e o BTG Pactual.
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Os motivos por trás da queda na inflação
O que fez a inflação dar esse "respiro" no último mês foi uma combinação de fatores que pesam diretamente no bolso das famílias:
Comida mais barata: após um mês de maio com preços altos, o grupo de alimentação e bebidas registrou queda de preços (deflação). Itens essenciais como tomate e batata ficaram mais baratos, e esse movimento de baixa foi observado em uma grande variedade de alimentos.
O alívio do petróleo: o preço do petróleo no mercado internacional caiu rapidamente, se aproximando de níveis anteriores ao conflito entre Estados Unidos e Irã. Como o petróleo afeta os preços do transporte e a produção de quase tudo, essa queda ajuda a segurar os preços gerais no Brasil.
Conta de luz e outros itens: a energia elétrica não trouxe novos aumentos, já que a bandeira tarifária continuou amarela em junho. Além disso, houve menos pressão nos custos de serviços.
Para saber se a inflação realmente está sob controle, os economistas olham para dados mais profundos, como os "núcleos", que excluem itens que variam muito por causa do clima ou de guerras. A média desses preços principais caiu de 0,45% para 0,21%.
Outro dado importante é o "índice de difusão", que mostra a quantidade de produtos que ficaram mais caros em uma lista de centenas de itens. Esse índice caiu de 65% para 53,6%, o que significa que menos coisas estão subindo de preço ao mesmo tempo.
Sonhando com juros menores
Diante desse cenário mais calmo, grandes instituições financeiras mudaram suas projeções para a taxa Selic.
O BTG Pactual, por exemplo, que antes da reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom) via a Selic encerrando o ciclo de cortes em 14,25%, passou a projetar mais dois cortes de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 13,75% ao fim de 2026.
Já o BofA mudou radicalmente de opinião. Antes, a equipe do banco esperava que o Copom mantivesse os juros parados na reunião de agosto. Agora, aposta em um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14% ao ano.
Além disso, o relatório cita um ambiente externo mais favorável, com o preço do petróleo controlado. Embora mantenha a projeção para o IPCA de 2026 em 5,5%, os economistas afirmam que os riscos para essa estimativa agora são de baixa.
O Goldman Sachs afirma que o espaço para cortes ainda é limitado, e prevê apenas mais um ajuste, de 0,25 ponto percentual. Porém, em relatório, o economista-chefe do banco para a América Latina, Alberto Ramos, escreve que a totalidade dos dados estão “lentamente reabrindo as portas para mais flexibilização nos juros”.
Veja as projeções para a Selic ao final de 2026
Instituição financeiraSelic ao final de 2026 JP Morgan 13,25% Inter 13,25% BB Investimentos 13,50% Safra 13,50% BTG Pactual 13,75% Santander 13,75% Bradesco 13,75% Itaú 13,75% XP Investimentos 14,00% C6 Bank 14,00% Bank of America (BofA) 14,00% Goldman Sachs 14,00% Genial Investimentos 14,25% Citi 14,25% ASA 14,25% HSBC 14,25% Fonte: dados coletados pelo Money Times.
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