BradSaúde (SAUD3) nasceu para ser uma gigante dos dividendos? Analistas veem potencial de retorno de até 10%
A BradSaúde (SAUD3) mal estreou na bolsa e já começou a alimentar uma tese que costuma atrair muitos investidores: a de se tornar a próxima vaca leiteira da B3, capaz de distribuir dividendos polpudos de forma recorrente.
O gatilho veio nesta semana, com o anúncio do primeiro pagamento de R$ 230 milhões em juros sobre capital próprio (JCP).
Embora o valor não seja expressivo, analistas enxergaram no movimento um sinal importante sobre a política de remuneração que a companhia pode adotar daqui para frente.
Na avaliação de analistas, a reorganização societária do grupo Bradesco criou uma estrutura mais eficiente — o que pode abrir espaço para um dividend yield robusto ao longo dos próximos anos.
Bradsaúde: o potencial que chamou a atenção do mercado
À primeira vista, os proventos anunciados pela Bradsaúde nos últimos dias podem parecer modestos para uma companhia desse porte. Afinal, os JCP correspondem a R$ 0,0787 por ação.
Mas, para os analistas, o primeiro pagamento cumpre um papel simbólico importante.
Mais do que distribuir caixa, a BradSaúde mostra disposição para remunerar os acionistas logo após sua estreia na bolsa.
Para o Itaú BBA, o primeiro JCP funciona como uma sinalização de que a empresa pode caminhar para uma política recorrente de distribuição de resultados.
De onde pode vir um dividend yield de 10%?
O principal catalisador do otimismo com os dividendos futuros da Bradsaúde está menos ligado ao anúncio desta rodada de JCP e mais ao potencial da estrutura criada com a reestruturação de ativos do Bradesco.
“Vemos o anúncio como positivo, pois o mercado tinha dúvidas sobre a capacidade da SAUD3 de pagar juros sobre capital próprio devido à sua estrutura societária complexa, que poderia gerar ineficiências fiscais”, diz o Santander.
Hoje, a Bradesco Saúde S.A. convive com uma carga tributária próxima de 40%.
Segundo analistas, ao utilizar a holding para distribuir JCP entre as empresas do grupo e, posteriormente, aos acionistas minoritários, a BradSaúde consegue capturar ganhos relevantes de eficiência tributária.
É justamente essa engenharia que leva algumas projeções a apontarem um dividend yield próximo de 10% ao longo dos próximos anos.
“Embora seja difícil quantificar o tamanho desse ganho, avaliamos que uma estrutura mais otimizada de JCP pode reduzir a alíquota efetiva de impostos e aumentar o retorno em caixa para os acionistas”, afirma o Itaú BBA.
Segundo estimativas do Santander, o volume anualizado de JCP pode alcançar aproximadamente R$ 920 milhões entre 2026 e 2027.
"Acreditamos que há espaço não só para pagamentos de JCP da BradSaúde aos acionistas minoritários, mas também da Bradesco Saúde S.A. para a holding, trazendo ganhos de eficiência tributária", afirmam os analistas.
Ainda há espaço para valorização?
Além da perspectiva de distribuição de dividendos, os analistas entendem que a ação SAUD3 continua negociando a múltiplos atrativos.
Nas contas do Santander, a BradSaúde é negociada a cerca de a 9,8 vezes os lucros estimados para 2026 e de 9,3 vezes o preço/lucro previsto para 2027.
Se considerado o efeito dos pagamentos de JCP, o valuation ficaria ainda mais barato, com a SAUD3 passando a negociar a 9 vezes o P/L para este ano e a 8,6 vezes o lucro de 2027.
“A BradSaúde opera um negócio resiliente e gerador de caixa, além de ser uma empresa com caixa líquido; na nossa visão, há potencial para revisões positivas de lucro à frente. Assim, acreditamos que a ação é uma boa forma de enfrentar a incerteza política e de juros”, avaliam os analistas do Santander.
Os riscos para a tese
Apesar do otimismo, os analistas lembram que a tese depende da capacidade da companhia de manter uma geração consistente de resultados.
O setor de saúde suplementar continua enfrentando desafios conhecidos, como a inflação médica, a necessidade de disciplina na precificação dos planos corporativos e as exigências regulatórias de capital impostas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Também existe a possibilidade de parte da geração de caixa ser direcionada para investimentos e expansão da operação, reduzindo o montante disponível para distribuição aos acionistas.
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