Os casos registrados de bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes cresceram 67,3% no Brasil em 2025, conforme levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O estudo aponta que 5.226 ocorrências chegaram às autoridades no período.
O avanço ocorreu em todo o país após a inclusão dessas práticas como crimes específicos na legislação brasileira em 2024. A mudança contribuiu para ampliar a identificação e o registro dos casos, embora os números oficiais representem apenas uma parte do problema.
A pesquisa também indica que a violência entre estudantes se concentra principalmente a partir dos 10 anos e ganha características diferentes conforme a idade. Enquanto o bullying apresenta maior incidência entre crianças e adolescentes mais jovens, o cyberbullying cresce junto com o uso das redes sociais.
Crescimento dos registros reflete nova legislação e maior notificação
Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que os registros de bullying passaram de 2.736 casos em 2024 para 4.549 em 2025, uma elevação de 68,2%. Já as ocorrências de cyberbullying subiram de 425 para 677 no mesmo intervalo, aumento de 61,4%.
A instituição destaca que a criação de tipos penais específicos em 2024, por meio da Lei nº 14.811/2024, ajudou a modificar a forma como escolas, sociedade e órgãos de segurança passaram a reconhecer essas situações. O crescimento das notificações, portanto, não significa necessariamente que toda a alta represente uma expansão proporcional das agressões.
De acordo com Cauê Martins, sociólogo e pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os registros policiais ainda correspondem a uma parcela limitada dos episódios de intimidação entre jovens. A análise considera que muitos casos permanecem restritos ao ambiente escolar e não chegam às delegacias.
O pesquisador relaciona esse cenário aos dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024, do IBGE, que apontam que quatro em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmam já ter sofrido bullying na escola. O número revela uma diferença significativa entre a ocorrência do fenômeno e sua formalização nos registros oficiais.
A distribuição dos casos varia entre os estados. Em São Paulo, por exemplo, os registros de bullying entre crianças e adolescentes passaram de 599 para 1.396 ocorrências, enquanto os casos de cyberbullying aumentaram de 69 para 145.
O levantamento também aponta que estados com números iniciais menores apresentaram grandes variações percentuais, como Maranhão e Mato Grosso do Sul. Segundo o Fórum, esse comportamento reforça a possibilidade de que parte do crescimento esteja ligada à consolidação dos mecanismos de notificação.
A faixa etária aparece como um fator relevante. As maiores taxas de bullying foram observadas entre jovens de 10 a 13 anos, com 21 registros por 100 mil pessoas dessa faixa, e entre adolescentes de 14 a 17 anos, com 19,9 registros por 100 mil. No caso do cyberbullying, o pico ocorre aos 14 anos.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública também reuniu outros indicadores de violência no país. Entre os dados apresentados estão a redução de 8% nos assassinatos, que chegaram ao menor patamar desde 2012, e o aumento dos feminicídios, que atingiram recorde em 2025.
O estudo ainda registrou crescimento de ocorrências relacionadas a violências psicológicas contra mulheres, stalking, descumprimento de medidas protetivas e produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil. Também apontou aumento da população prisional e queda no número de adolescentes submetidos a medidas socioeducativas.
O post Brasil registra aumento de 67% nos casos de bullying e cyberbullying em 2025 apareceu primeiro em Olhar Digital.