Brasil tem alta de investimento anjo, mas perde participantes
Investidor anjo | Crédito: Canva
O mercado brasileiro de investimento anjo voltou a crescer em volume, mas perdeu participantes pelo caminho. Em 2025, os aportes em startups somaram R$ 919 milhões, alta de 4,2% em relação ao ano anterior. No mesmo período, porém, o número de investidores caiu 1%, passando para 8.044 pessoas. Os números fazem parte da pesquisa anual da Anjos do Brasil, realizada com 1.145 investidores entre março e maio deste ano.
Para Cassio Spina, presidente da organização, o mercado dá sinais de recuperação, mas ainda enfrenta obstáculos ligados ao cenário macroeconômico. “Há uma perspectiva de retomada do investimento anjo. Entretanto, devido à manutenção das taxas de juros em patamares muito elevados, faltam estímulos para aumento da base de investidores, como aplicados em diversos países, mas não aprovados até o momento aqui no Brasil”, afirma em comunicado.
Os números sugerem que a recuperação do mercado foi sustentada pelos investidores já ativos no ecossistema. Em vez de uma ampliação da base de participantes, houve um aumento do valor médio investido por cada anjo, que passou de R$ 109 mil para R$ 114 mil no período analisado.
Apesar da queda no número de investidores anjo, o estudo indica que os ativos no ecossistema têm uma visão mais otimista para os próximos anos. Os entrevistados afirmam que pretendem aumentar em cerca de 10% o volume investido em 2026, a depender da evolução dos juros e das condições econômicas do país.
Potencial de mercado
Segundo a Anjos do Brasil, o mercado brasileiro ainda está longe de seu potencial. Nos Estados Unidos, o total chegou a US$ 17,3 bilhões, distribuídos entre mais de 445 mil pessoas físicas. A partir da proporção entre os PIBs dos dois países, a entidade estima que o Brasil poderia movimentar cerca de R$ 7,5 bilhões por ano em investimento anjo — mais de oito vezes o volume atual.
Na avaliação da organização, parte dessa diferença está relacionada ao desenvolvimento mais tardio da indústria de investimento anjo no país e à ausência de incentivos tributários específicos para aportes em startups. A entidade argumenta que investimentos em startups enfrentam tributação entre 15% e 22,5%, enquanto modalidades como LCIs, LCAs, CRIs, CRAs, debêntures incentivadas e fundos imobiliários contam com benefícios fiscais ou isenções.
Avanços lentos em diversidade
A pesquisa indica avanços graduais na diversidade entre investidores anjo. A participação feminina chegou a 21,1% em 2025, alta de dois pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. Já a participação de investidores de grupos étnicos diversos passou de 10,8% para 12,2%. Ainda assim, o perfil predominante entre os participantes do ecossistema segue masculino (78%) e branco (87,8%).
Apesar dos avanços observados nos últimos anos, a ampliação da base de investidores segue como um dos principais desafios do mercado brasileiro. Para a Anjos do Brasil, o crescimento do setor dependerá tanto da melhora das condições econômicas quanto da criação de incentivos para investimentos em startups.
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startups.com.br