A primeira vez que assisti a Brokeback Mountain, tentei me convencer de que não tinha gostado. A reação parecia mais segura do que admitir o desconforto que o filme me causou aos 14 anos, quando vi dois homens se beijando na tela pela primeira vez.
Naquela época, a sessão parecia apenas uma escolha da minha mãe para uma noite especial de cinema em casa. Mas, ao longo da história de Ennis Del Mar e Jack Twist, o que eu encontrei foi algo muito maior do que um romance ambientado nas paisagens do Wyoming: encontrei uma narrativa sobre afeto reprimido, medo e a violência de esconder quem se é.
Com o tempo, entendi que a minha resistência ao filme dizia mais sobre mim do que sobre a obra. A beleza triste da direção, a química entre Heath Ledger e Jake Gyllenhaal e a forma como a história trata a intimidade masculina com delicadeza fizeram de Brokeback Mountain um título impossível de esquecer.
Hoje, o mesmo longa que um dia eu rejeitei é um dos meus favoritos. Não apenas pela força dramática, mas porque ele marcou o momento em que comecei a perceber que certas histórias não servem só para entreter: elas também podem abrir portas, desmontar certezas e, às vezes, ajudar alguém a sair do próprio armário.