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BTG Pactual inicia cobertura da SpaceX com compra e alvo de US$ 225

Redação Recifes
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BTG Pactual inicia cobertura da SpaceX com compra e alvo de US$ 225

SpaceX | Crédito: Wirestock Creators / Shutterstock.com O BTG Pactual iniciou a cobertura das ações da SpaceX com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 225 por papel, o equivalente a uma alta de 40% em relação à cotação atual de US$ 160,42. Segundo o banco, a companhia deve atingir US$ 1 trilhão em receita até 2031, impulsionada pela expansão da capacidade de computação em inteligência artificial e pelo crescimento da base de assinantes da Starlink, subsidiária de internet via satélite da empresa.

A avaliação do BTG se baseia em três frentes de negócio da SpaceX: lançamentos espaciais, conectividade via satélite e infraestrutura de inteligência artificial. Segundo o relatório, a inteligência artificial responde por 59% do preço-alvo estimado, a conectividade por 37% e o segmento de lançamentos pelos 4% restantes — uma inversão em relação à percepção mais comum sobre a empresa, historicamente associada sobretudo a foguetes.

O banco justifica a recomendação de compra pela combinação entre o tamanho do mercado endereçável pela SpaceX — que os analistas descrevem como “literalmente todo o espaço” — e o que consideram uma das maiores vantagens competitivas da indústria de tecnologia atual, construída ao longo de mais de duas décadas de operação.

A tese do quase monopólio

O relatório aponta que a SpaceX já lançou mais de 80% de toda a massa colocada em órbita no mundo nos últimos anos, o que o banco descreve como um “quase monopólio” tecnológico de acesso ao espaço. A vantagem, segundo o BTG, vem da capacidade da empresa de recuperar e reutilizar o estágio inferior de seus foguetes Falcon 9, responsável por cerca de 60% do custo total do veículo.

Quando o Falcon 9 voou pela primeira vez, em 2010, o custo por quilograma levado à órbita caiu para cerca de US$ 2.700 — 85% abaixo da média histórica da indústria, de US$ 18.500 por quilo. Com a entrada em operação do Starship, próxima geração de foguetes da empresa, o banco projeta uma redução adicional de 99% nesse custo, para cerca de US$ 200 por quilo.

O BTG Pactual descreve a reutilização de foguetes não como um marco pontual, mas como uma curva de aprendizado cumulativa. Em 2019, a SpaceX realizou 13 lançamentos da família Falcon; em 2025, esse número chegou a 165. De acordo com o relatório, mesmo que um concorrente desenvolvesse hoje um booster reutilizável, ainda estaria pelo menos uma década atrás da SpaceX em repetição operacional, know-how de manutenção e dados de voo acumulados.

O documento ilustra a resistência inicial ao modelo de reutilização com uma fala de Richard Bowles, ex-executivo da Arianespace, concorrente europeia da SpaceX, em um fórum do setor em 2013: “a SpaceX está basicamente vendendo um sonho, o que é bom, todos devemos sonhar, mas acho que um lançamento de 5 milhões ou 15 milhões de dólares é um pouco um sonho. Pessoalmente, acho que a reutilização é um sonho.” Quase uma década depois, segundo o BTG, a empresa já operava foguetes reutilizáveis rotineiramente havia praticamente 10 anos.

Caminho para o trilhão de dólares

Para chegar à projeção de US$ 1 trilhão em receita em 2031, o banco detalha os principais motores de cada uma das três divisões da SpaceX. No segmento de inteligência artificial, a estimativa é de 62 gigawatts de capacidade média instalada de computação ao longo do ano, monetizados a um valor aproximado de US$ 11,20 por watt, o que resultaria em cerca de US$ 691 bilhões em receita de infraestrutura e soluções de IA. A publicidade na rede social X, também controlada pela SpaceX após a fusão com a xAI em fevereiro de 2026, contribuiria com outros US$ 50 bilhões, com a base de usuários chegando a 931 milhões.

Na conectividade, o banco projeta que a Starlink alcance 135 milhões de assinantes de banda larga residencial até 2031, mesmo com queda de ARPU (receita média por usuário) de US$ 66 para US$ 35 ao mês — uma redução que o BTG atribui à passagem de ganhos de eficiência aos clientes à medida que a empresa se expande para mercados emergentes. A frente empresarial e governamental somaria US$ 73 bilhões, e o serviço móvel via satélite, o Starlink Mobile, chegaria a 832 milhões de assinantes com ARPU de US$ 16 por mês, gerando US$ 118 bilhões.

Já o segmento de lançamentos, batizado de Space no relatório, seguiria sendo o menor dos três em receita — cerca de US$ 23 bilhões em 2031, com 120 lançamentos para clientes externos. O banco explica que isso decorre de uma escolha estratégica da própria SpaceX: a maior parte dos lançamentos da empresa é interna, voltada a colocar em órbita seus próprios satélites de Starlink e de computação em IA, o que não gera receita reconhecida no segmento de lançamentos.

Contratos com Anthropic e Google

Um dos pontos centrais do relatório é a velocidade com que a SpaceX já monetiza sua infraestrutura de inteligência artificial. Até março, a empresa havia construído 1 gigawatt de capacidade de computação distribuída em dois clusters, batizados de Colossus 1 e Colossus 2, com meta de chegar a 2 gigawatts até o fim de 2026.

Segundo o BTG, a maior parte dessa capacidade já está alugada a terceiros. O contrato com a Anthropic gera cerca de US$ 1,25 bilhão em receita mensal, o equivalente a US$ 15 bilhões anualizados, e ocupa entre 500 e 550 megawatts do cluster de 1 gigawatt. O acordo com o Google gira em torno de US$ 920 milhões por mês, ou US$ 11 bilhões anualizados, ocupando cerca de 200 megawatts do Colossus 2.

O preço implícito no contrato com o Google gira em torno de US$ 53 por watt — bem acima da estimativa do banco de que a SpaceX gastou aproximadamente US$ 27 por watt para construir o primeiro gigawatt de capacidade. Ambos os acordos podem ser cancelados por qualquer uma das partes com aviso prévio de 90 dias, o que o BTG interpreta como reflexo da atual escassez de capacidade de computação em IA, e não como uma economia contratual de longo prazo.

O relatório lista o risco de dependência de uma única pessoa como o principal ponto de atenção para o investidor. Segundo o banco, caso Elon Musk deixasse a empresa inesperadamente, a destruição de valor de mercado resultante seria, na avaliação dos analistas, sem precedentes, já que parte relevante do prêmio embutido na avaliação das ações estaria ligada ao envolvimento contínuo do fundador nos negócios.

O sucesso do Starship também aparece como risco central. O banco descreve o veículo como o “binário pivotal” da tese de investimento, do qual dependem tanto a queda de custos de lançamento quanto a expansão da Starlink e a viabilidade da computação orbital de IA. Nesse mesmo sentido, o relatório pondera que a economia dos data centers em órbita — hoje a maior fonte de valor de longo prazo do segmento de IA no modelo do banco — ainda não foi comprovada em escala comercial, com questões em aberto sobre resfriamento, tolerância à radiação e manutenção de equipamentos no espaço.

O documento também chama atenção para o entrelaçamento crescente entre a SpaceX e outras empresas ligadas a Musk, como a Tesla, com quem a companhia desenvolve o projeto de fabricação de chips Terafab, além de riscos geopolíticos, de cadeia de suprimentos e de segurança orbital. A empresa já teria adotado o estoque de componentes críticos como forma de mitigar disrupções ligadas a controles de exportação.

O BTG reconhece que o prêmio de avaliação embutido no preço-alvo — hoje justificado pelo crescimento acelerado e pela amplitude dos mercados endereçáveis da SpaceX — tende a se dissipar a partir de 2030, à medida que a aposta em data centers orbitais passa a depender, na prática, da execução da empresa. O post BTG Pactual inicia cobertura da SpaceX com compra e alvo de US$ 225 apareceu primeiro em Startups.

Artigo originalmente publicado em startups.com.br
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