Em Toronto, a despedida do Canadá na Copa teve o clima de quem já sabia que a história estava chegando ao fim. Em um bar lotado por torcedores de vermelho e branco, a eliminação para o Marrocos foi recebida com aplausos discretos, sem revolta e sem o tipo de catarse que costuma marcar noites de mata-mata.
O contraste foi evidente ao longo do torneio: enquanto os canadenses viveram lampejos de entusiasmo com a vitória sobre a África do Sul, o gol de Cyle Larin e a goleada sobre o Qatar, outras seleções transformaram cidades canadenses em palco de celebração intensa. A chegada de Portugal, por exemplo, mobilizou ruas, hotéis e até o trânsito de Toronto, com o peso de uma diáspora muito mais barulhenta do que a festa local.
Esse desequilíbrio ajuda a explicar a sensação de que o Canadá foi anfitrião, mas não necessariamente protagonista da própria Copa. O país teve o nome na fachada, cumpriu bem a parte organizacional e até ofereceu cenas marcantes, mas ainda luta para converter o interesse ocasional em cultura esportiva consistente. A reação contida diante da eliminação expõe uma contradição conhecida: há simpatia pela seleção, mas não ainda uma paixão de massa que sustente o futebol como prioridade nacional.
Fica, então, a pergunta que vai além do resultado em campo: o que este Mundial deixa de legado para o futebol canadense? Há dúvidas sobre a saúde da liga doméstica, o futuro de clubes importantes e a continuidade dos investimentos necessários para transformar impulso em estrutura. Se a Copa serviu para mostrar potencial, também deixou claro que o Canadá ainda precisa decidir se quer apenas receber a festa ou realmente comandá-la.