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A fake news que fez o mundo inteiro acreditar que Messi é autista

A fake news que fez o mundo inteiro acreditar que Messi é autista
<p>Poucas mentiras viajaram tão rápido quanto a que colocou Lionel Messi no espectro autista. A história tem endereço e data de nascimento: surgiu em 2013, quando um jornalista brasileiro publicou um texto afirmando que o astro argentino teria recebido esse diagnóstico ainda na infância. A informação se espalhou como rastilho de pólvora pelas redes sociais, foi replicada em blogs, fóruns e até em veículos de imprensa, e acabou ganhando ares de verdade absoluta para boa parte do público.</p><p>O problema é que nunca foi verdade. A família de Messi sempre negou qualquer diagnóstico do tipo, e o médico que acompanhou o craque durante a infância também desmentiu a versão que circula na internet. O que existe de concreto na trajetória de Lionel é bem diferente: quando criança, ele foi diagnosticado com deficiência de hormônio do crescimento, condição que exigiu tratamento caro e que o Barcelona topou financiar em troca de contratá-lo — esse sim, um capítulo real e documentado da sua história.</p><p>Mas por que uma fake news assim cola com tanta facilidade? Parte da resposta está no próprio comportamento de Messi em campo e fora dele. Reservado, comunicativo à sua maneira, com uma rotina quase ritualística e uma concentração que beira o sobre-humano, o jogador apresenta traços que o imaginário popular às vezes associa, de forma equivocada, ao espectro autista. A narrativa tem um apelo emocional forte: a ideia de um gênio que superou obstáculos invisíveis é uma história que as pessoas querem acreditar.</p><p>Vale lembrar que o Transtorno do Espectro Autista é uma condição neurológica real, diversa e que afeta milhões de pessoas no mundo — e que merece ser discutida com seriedade, longe de especulações sem base sobre celebridades. Associar o autismo a genialidade esportiva sem qualquer evidência clínica contribui para estereótipos que, no fim das contas, prejudicam quem realmente vive com o diagnóstico.</p><p>A história de Messi já é extraordinária o suficiente sem precisar de camadas fictícias. O menino de Rosário que quase teve a carreira interrompida por uma questão hormonal e se tornou um dos maiores jogadores de todos os tempos não precisa de roteiro inventado. A fake news, no entanto, segue viva — um lembrete de que, na era da informação, o que viraliza nem sempre é o que é verdadeiro.</p>
Artigo originalmente publicado em super.abril.com.br
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