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Canetas de emagrecimento: o descarte errado coloca vidas em risco nas ruas

Redação Recifes
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Canetas de emagrecimento: o descarte errado coloca vidas em risco nas ruas

O sucesso das chamadas "canetas emagrecedoras" — injetáveis à base de substâncias como a semaglutida, popularizados por marcas como Ozempic e Wegovy — trouxe um problema silencioso para as cidades: o descarte inadequado de seringas e dispositivos usados. Com milhões de brasileiros aderindo ao tratamento, o volume de resíduos perfurocortantes gerados em domicílios cresceu de forma expressiva, e boa parte desse material acaba no lixo comum ou nas caixas de coleta seletiva — lugares onde ele definitivamente não deveria estar.

Para os trabalhadores da limpeza urbana, esse cenário representa risco real e cotidiano. Garis e catadores de materiais recicláveis manipulam resíduos sem proteção adequada contra objetos pontiagudos contaminados. Um furo de agulha, por menor que pareça, pode transmitir doenças graves como hepatite B, hepatite C e HIV. O problema não é novo para a categoria, mas ganhou nova escala com a popularização dos injetáveis de uso doméstico para emagrecimento e controle do diabetes.

A legislação brasileira é clara: resíduos de saúde gerados em casa — incluindo agulhas, seringas e canetas autoaplicadoras — são classificados como Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) e não podem ser descartados no lixo doméstico comum nem na coleta seletiva. O caminho correto é armazená-los em recipientes rígidos e resistentes à perfuração — os chamados coletores de perfurocortantes, facilmente encontrados em farmácias — e, quando cheios, entregá-los em pontos de coleta especializados, como farmácias participantes de programas de logística reversa, Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou ecopontos municipais.

Muitas cidades brasileiras já contam com redes de descarte para esse tipo de material, mas o desconhecimento do usuário ainda é o maior gargalo. Quem usa a caneta em casa tende a tratá-la como qualquer outro produto descartável, sem perceber que ela carrega uma agulha capaz de causar acidentes graves. A responsabilidade começa na farmácia, com orientação no momento da compra, e passa pelos planos de saúde, médicos prescritores e campanhas de conscientização pública.

A expansão do uso doméstico de medicamentos injetáveis é uma tendência que não vai recuar — e as cidades precisam se adaptar. Ampliar os pontos de coleta de perfurocortantes, sinalizar melhor os ecopontos e incluir o tema nas campanhas de educação ambiental são passos essenciais para que o avanço da medicina não se transforme em um passivo para quem trabalha nas ruas. Cuidar do descarte é também cuidar de quem cuida da cidade.

Artigo originalmente publicado em ciclovivo.com.br
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