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CAR-T: como funciona a terapia contra o câncer utilizada por Sam Neill

Redação Recifes
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CAR-T: como funciona a terapia contra o câncer utilizada por Sam Neill
Foto: Ivan S / Pexels

Dias antes de morrer, o ator Sam Neill revelou que estava em remissão de um linfoma graças à terapia CAR-T. A técnica utiliza linfócitos T do próprio paciente, modificados em laboratório para combater o câncer.

O tratamento mudou o cenário para pacientes que já haviam esgotado outras alternativas. No Brasil, porém, o acesso ainda é restrito.

Como a CAR-T age contra o câncer

Depois de cinco anos convivendo com um linfoma não Hodgkin, Sam Neill viu a quimioterapia deixar de controlar a doença. A remissão veio após receber a CAR-T. Segundo a família, ele permaneceu livre do câncer até a morte, aos 78 anos.

O funcionamento é diferente do da quimioterapia. Em vez de atacar células que se multiplicam rapidamente, a terapia utiliza o próprio sistema imunológico para reconhecer e destruir as células cancerígenas.

O tratamento segue quatro etapas:

  • os linfócitos T são retirados do paciente;
  • as células passam por modificação genética em laboratório;
  • recebem um receptor artificial chamado CAR, capaz de identificar o tumor;
  • depois, são multiplicadas e reinfundidas no organismo.

Nós retiramos os linfócitos T do paciente, reprogramamos essas células para reconhecer o tumor e depois as reinfundimos no organismo já preparadas para atacá-lo.

Stephen Stefani, oncologista do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, ao G1.

Em quais situações ela é indicada

A CAR-T é aprovada para alguns cânceres do sangue, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo. Normalmente, é destinada a pessoas cujo câncer voltou ou deixou de responder às terapias convencionais, como aconteceu com Sam Neill.

Pesquisadores também estudam seu uso contra tumores sólidos, entre eles os de pulmão, mama e cérebro. Os resultados ainda são iniciais.

Em pacientes que já não tinham outras opções terapêuticas, a técnica pode proporcionar remissões prolongadas e, em alguns casos, fazer o tumor desaparecer completamente.

Pesquisas brasileiras avançam

Segundo o G1, estudos conduzidos pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantan, mostraram que 87,5% dos pacientes com linfoma não Hodgkin tiveram redução significativa ou desaparecimento do tumor após receberem uma versão nacional da terapia produzida no Hemocentro de Ribeirão Preto.

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No Hospital Israelita Einstein, outra pesquisa registrou resposta ao tratamento em 81% dos pacientes com leucemias e linfomas avançados, enquanto 72% entraram em remissão completa.

Apesar desses resultados, o tratamento comercial custa entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões por paciente e exige hospitais altamente especializados. Também há poucos centros habilitados e, em alguns casos, as células precisam ser enviadas para laboratórios no exterior.

Stefani explica que parte dos pacientes sequer consegue chegar à terapia. “Muitos pioram clinicamente ou morrem antes de obter acesso à CAR-T.”

O desenvolvimento de versões nacionais da CAR-T pode ampliar a oferta do tratamento no futuro. Por enquanto, o alto custo, a estrutura necessária e o número reduzido de centros especializados continuam limitando o acesso de muitos pacientes brasileiros.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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