Aliados de Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, avaliam que a carta enviada aos Estados Unidos para tentar adiar a decisão sobre novas tarifas contra exportações brasileiras acabou produzindo o efeito contrário ao pretendido. Em vez de reforçar a pressão política sobre o governo federal, o gesto abriu espaço para que Lula transforme o senador em alvo fácil no debate público.
Nos bastidores, a leitura é que o texto conversa mais com a base já convencida do bolsonarismo do que com o eleitorado independente, justamente o grupo que tende a decidir a disputa em 2026. Para esses aliados, a iniciativa pode soar como uma tentativa de terceirizar para Washington uma crise que deveria ser enfrentada no campo interno da política e da diplomacia.
O incômodo também passa pela munição que a carta oferece ao Planalto. A avaliação é que Lula ganha terreno para acusar Flávio de defender interesses externos em detrimento da economia brasileira, um rótulo politicamente pesado em ano pré-eleitoral. Em termos de narrativa, o documento pode render mais desgaste do que dividendos para a oposição.
Apesar disso, interlocutores do senador reconhecem que a ofensiva foi pensada para marcar posição e tentar influenciar o ambiente antes da definição final sobre o tarifaço. O problema, segundo esses mesmos aliados, é que a mensagem pode ter reforçado a percepção de confronto e reduzido o espaço para uma estratégia mais ampla de diálogo com setores do centro e do empresariado.