Durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), em Xangai, o presidente chinês Xi Jinping apresentou a estratégia de Pequim para ampliar sua participação na corrida global pela inteligência artificial.
A proposta chinesa aposta em modelos abertos, cooperação internacional e maior participação de países em desenvolvimento nas decisões sobre o futuro da tecnologia.
Xi defende IA aberta como caminho para ampliar acesso
Em seu discurso, Xi afirmou que o mundo deve aproveitar a “oportunidade histórica” dos modelos de inteligência artificial de código aberto. Segundo a Reuters, o presidente chinês também alertou para o risco de novas desigualdades caso apenas algumas nações concentrem o acesso às ferramentas mais avançadas.
A ideia defendida por Pequim é que sistemas abertos possam ser utilizados e adaptados por diferentes países, empresas e pesquisadores. O movimento contrasta com a estratégia de grandes companhias americanas, como OpenAI e Anthropic, que trabalham principalmente com modelos proprietários.
A Reuters destacou que empresas chinesas como Moonshot AI, Z.ai e MiniMax vêm acelerando seus lançamentos e oferecendo soluções com custos menores. O avanço dessas companhias coloca em dúvida a antiga percepção de que a China estaria sempre atrás dos Estados Unidos no desenvolvimento de IA.
Entre as principais iniciativas defendidas pelo governo chinês estão:
- ampliar treinamentos e cooperação internacional em IA;
- criar centros voltados ao desenvolvimento da tecnologia;
- participar da construção de padrões globais;
- estabelecer mecanismos para reduzir riscos de sistemas autônomos.
Disputa por IA envolve modelos, chips e influência
A competição entre Pequim e Washington não está apenas nos softwares. O Wall Street Journal explicou que os dois países seguem estratégias diferentes: empresas americanas investem em sistemas fechados, enquanto companhias chinesas têm apostado em modelos abertos.
O jornal também destacou que empresas como DeepSeek, Moonshot e Zhipu AI buscam avançar apesar das restrições dos Estados Unidos ao acesso chinês a chips de alta capacidade e equipamentos usados na fabricação de semicondutores.
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Nesse cenário, o lançamento do Kimi K3 pela Moonshot AI ganhou destaque. O modelo foi apresentado como uma evolução importante do ecossistema chinês e chamou atenção por suas capacidades avançadas.
Pequim busca espaço nas regras globais da IA
Além de desenvolver tecnologia, a China tenta influenciar as normas que vão orientar o uso da inteligência artificial. Xi anunciou ações de cooperação com países do BRICS, ASEAN, América Latina e África, além da criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), que reúne 29 países.
A mensagem de Xi é clara: a China não seguirá ninguém, tanto em tecnologia de IA quanto em padrões.
George Chen, da The Asia Group, à Reuters
Xi também defendeu que sistemas inteligentes permaneçam sob controle humano e pediu mecanismos internacionais para lidar com possíveis riscos.
Para Kai-Fu Lee, empresário e investidor citado pelo Wall Street Journal, a abertura pode atrair países preocupados com a concentração tecnológica. “AI development should not be a solo performance by a single country, but a symphony of global collaboration”, afirmou.
A disputa pela liderança da IA agora envolve não apenas quem cria os sistemas mais avançados, mas também quem consegue definir as regras para seu uso em escala mundial.
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