O melhor segundo trimestre desde 2018. Embora a Vale (VALE3) esteja dando cada vez mais peso para metais básicos, foi graças ao minério de ferro que a companhia alcançou esse desempenho, levando o mercado a reagir positivamente aos dados operacionais de abril a junho, divulgados na noite de terça-feira (21).
No período, a produção de minério de ferro alcançou 84,3 milhões de toneladas métricas (Mt), avanço de 1% na comparação anual.
A divisão de metais básicos, especialmente do cobre, também foi um destaque positivo no segundo trimestre. O segmento vem ganhando cada vez mais relevância nos resultados da mineradora e já responde por cerca de 30% da receita da companhia.
Os preços obtidos pela Vale na venda de seus produtos também vieram acima do esperado. Minério de ferro, pelotas — um produto de maior valor agregado feito a partir do minério — e cobre foram vendidos por valores superiores às projeções do BTG Pactual, o que levou o banco a enxergar um potencial de alta de 3% a 4% para suas estimativas de resultados do segundo trimestre.
O preço médio realizado dos finos de minério de ferro foi de US$ 95 por tonelada, alta de 11,6% em relação ao mesmo período do ano passado, já o das pelotas chegou a US$ 137 por tonelada, avanço de 2,2% na comparação anual.
Os resultados financeiros completos serão conhecidos em 30 de julho, mas o relatório operacional já antecipa as principais tendências do trimestre. Por volta de 12h, as ações da mineradora saltavam 2,8%, a R$ 74,26, enquanto o Ibovespa avançava 1,25%, a 175.461,25 pontos.
Os detalhes da prévia operacional da Vale
As vendas de minério de ferro totalizaram 79,7 Mt, cerca de 3% acima do registrado um ano antes, mas ficaram abaixo da produção. A diferença refletiu perdas de cerca de 5,2 Mt nos processos de pelotização, concentração e variação de umidade, parcialmente compensadas pela venda de 600 mil toneladas (kt) retiradas dos estoques.
Os embarques de minério de ferro (finos e pelotas) somaram 77,7 Mt, alta de 3% na comparação anual e de 16% em relação ao trimestre anterior.
As vendas de finos de minério, principal produto da Vale, somaram 69,9 MT, aumento de 3% em base anual, enquanto as de pelotas chegaram a 7,7 Mt, salto de 4,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Já a produção de pelotas caiu 7%, para 7,3 Mt em função da suspensão temporária das plantas em Omã, no Oriente Médio, onde as operações foram interrompidas devido ao conflito na região e só foram parcialmente retomadas no fim de junho.
Apesar desse impacto, os embarques de pelotas somaram 7,7 Mt, alta de 3,5% em relação ao mesmo período do ano passado e acima das estimativas do BTG Pactual.
Segundo a companhia, o minério que abasteceria as usinas de Omã foi redirecionado para outras operações, principalmente para o complexo de Tubarão, reduzindo o impacto da paralisação sobre os embarques de pelotas.
A unidade de metais básicos
Na avaliação do BTG Pactual, o grande destaque do trimestre voltou a ser o cobre, que apresentou resultados acima das expectativas.
Os embarques somaram 97,6 kt, com alta de 10% em relação ao mesmo período do ano passado e de 7% na comparação trimestral. A produção atingiu 98,4 kt, avanço de 6% em um ano e o melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2017.
O preço obtido pela Vale nas vendas de cobre também surpreendeu positivamente. A companhia vendeu o metal por uma média de US$ 14.062 por tonelada, alta de 56,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
O desempenho refletiu a valorização do cobre na Bolsa de Metais de Londres (LME), menores descontos de tratamento e refino (TC/RC) e o efeito favorável da liquidação de contratos com precificação provisória realizados em trimestres anteriores.
A produção de níquel acabado totalizou 42 mil toneladas no segundo trimestre de 2026, avanço de 4% na comparação anual, enquanto as vendas chegaram a 44,4 mil toneladas, alta de 7% frente ao mesmo período do ano passado.
O preço médio realizado do níquel foi de US$ 18.061 por tonelada, representando de 14% em relação ao período de abril a junho de 2025.
"Os números da divisão de Metais Básicos foram sólidos, com cobre e níquel registrando aumento de volumes na comparação anual e preços realizados mais altos na comparação trimestral. No conjunto, esses fatores devem sustentar um bom desempenho da divisão no 2T26", escreve o Itaú BBA em relatório.
O BTG Pactual, por sua vez, acredita que mercado ainda subestima o potencial de recuperação e crescimento da operação
"A Vale pretende praticamente dobrar sua capacidade de produção de cobre para cerca de 500 mil toneladas até 2030, com potencial para atingir 700 mil toneladas até 2035, patamar que a colocaria entre as maiores produtoras globais da commodity — um potencial que, na nossa avaliação, ainda não está refletido no preço das ações", dizem os analistas.
O que fazer com as ações?
O BTG Pactual, Itaú BBA e Citi recomendam a compra dos papéis. Na visão do primeiro banco, a queda de cerca de 20% das ações desde as máximas em abril abrem um bom ponto de entrada.
Na avaliação do BTG, o cenário continua favorável diante da elevada exaustão de minas ao redor do mundo, estimada entre 50 milhões e 80 milhões de toneladas por ano, da resiliência das importações chinesas e do aumento da demanda por aço em mercados como Índia, Sudeste Asiático e Oriente Médio.
Além disso, a entrada gradual em operação do projeto Simandou, na Guiné, deve compensar o esgotamento de minas já existentes, sem provocar um aumento significativo da oferta global de minério de ferro.
"No curto prazo, pressões de custos relacionadas ao diesel, ao câmbio e às manutenções devem afetar os resultados do segundo trimestre. Entretanto, avaliamos que esses fatores são essencialmente exógenos e não refletem deterioração na capacidade de execução da Vale", diz o time de análise do BTG em relatório.
Além disso, os analistas acreditam que mercado ainda subestima o potencial de recuperação e crescimento da operação de metais básicos.
Os analistas ressaltam que a Vale pretende praticamente dobrar sua capacidade de produção de cobre para cerca de 500 mil toneladas até 2030, com potencial para atingir 700 mil toneladas até 2035, patamar que a colocaria entre as maiores produtoras globais da commodity — um potencial que, na nossa avaliação, ainda não está refletido no preço das ações.
Mesmo assim, o papel continua sendo negociado essencialmente como uma empresa focada em minério de ferro, a 4,2 vezes 2 vezes o Ebitda estimado para 2026 — um múltiplo considerado baixo para a companhia — e ainda oferece um dividend yield projetado entre 8% e 9%.
Já a XP reiterou recomendação neutra para a Vale diante das pressões de custos. "Acreditamos que fundamentos mais fortes para o cobre e a melhora dos preços dos metais devem continuar sustentando as ações nos níveis atuais", diz o relatório.
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