Matt Johnson transforma sua comédia em um espetáculo de energia descontrolada, no qual dois amigos sem rumo tentam salvar a própria banda enquanto se enroscam em uma viagem no tempo para 2008. O resultado aposta sem vergonha na besteira calculada, no improviso e em uma nostalgia que lembra aventuras adolescentes dos anos 1980 e 1990, mas com a bagunça típica de uma dupla que nunca foi exatamente competente.
O que chama atenção, porém, é que o filme não depende apenas da piada. Há um trabalho visual muito acima do que se costuma esperar desse tipo de comédia, com efeitos que ampliam o absurdo da premissa e ajudam a sustentar as mudanças de tempo e espaço sem quebrar o ritmo. Essa combinação dá ao projeto uma ambição rara para uma obra que, à primeira vista, parece apenas um delírio de fanáticos por cultura pop.
Para quem já acompanha o universo criado por Johnson em Nirvanna the Band the Show, a nova produção funciona como extensão natural dessa piada contínua, com os mesmos personagens erráticos e a mesma lógica de fracasso criativo convertido em humor. Já para o público que chega agora, o começo pode soar um pouco hermético, porque o filme presume alguma familiaridade com esse histórico e com a relação entre os protagonistas.
Mesmo assim, há algo irresistível na forma como a obra abraça sua própria idiotice sem medo de ir longe demais. Entre o espírito de amizade desastrada, a vontade de vencer contra todas as probabilidades e o caos das consequências temporais, Matt Johnson entrega uma comédia que prefere ser excessiva a ser comportada. Nem todo mundo vai embarcar de imediato, mas quem entra nessa frequência encontra um filme barulhento, inventivo e surpreendentemente vivo.