O mercado financeiro costuma punir o excesso de otimismo, mas, para o Morgan Stanley, a recente tempestade sobre as ações da SpaceX (SPCX) na bolsa abriu uma janela de oportunidade para o investidor de longo prazo.
Após uma estreia no mercado marcada por uma oferta recorde de US$ 86 bilhões em meados de junho, a empresa de foguetes, conectividade e inteligência artificial viu suas ações entrarem em uma espiral descendente.
No entanto, é justamente no pico desse pessimismo que surge a recomendação de compra.
Nesta sexta-feira (24), os papéis da SpaceX chegaram a cair 5%, terminando o dia em baixa de 2,83%, cotadas a US$ 114,89.
O movimento reflete a postura cautelosa dos investidores no momento em que a companhia se prepara para realizar, na noite desta sexta-feira (24), o 13º voo de teste da Starship — a primeira missão do foguete desde a abertura de capital da empresa.
IA "de graça" na bolsa
O analista Adam Jonas, do Morgan Stanley, reiterou em nota enviada a clientes nesta sexta-feira (24), a recomendação de compra para as ações da SpaceX, fixando um preço-alvo de US$ 300.
A tese central de Jonas baseia-se em uma desconexão entre o sentimento pessimista dos investidores e os fundamentos da empresa, que permanecem em grande parte inalterados.
"Acreditamos que a atual desconexão entre o sentimento cada vez mais pessimista dos investidores e os fundamentos em grande parte inalterados cria um ponto de entrada atraente para as ações da SpaceX. A SpaceX continua posicionada de forma única em lançamento, conectividade e IA", escreveu Jonas.
A retração do papel ocorre em um cenário no qual muitos investidores antecipam novas quedas até o patamar de US$ 100 por ação no próximo mês, quando expira o período de bloqueio (lock-up) do primeiro lote de ações pós-IPO, liberando vendas por parte de insiders.
Contudo, Jonas alerta para uma distorção grave nesse preço: ao atingir US$ 100, os investidores estarão atribuindo valor zero — ou até negativo — ao segmento de inteligência artificial da SpaceX, que inclui os negócios Grok e Cursor.
Como mais de 50% do preço-alvo de US$ 300 estipulado pelo Morgan Stanley vem justamente da divisão de IA, o analista argumenta que o mercado está precificando a empresa como se essa frente de negócios não tivesse valor.
A desconfiança dos investidores sobre a IA se explica pelos altos requisitos de investimentos exigidos na comparação com os setores de Espaço e Conectividade, além da economia em grande parte incerta e do elevado tempo de gestão dedicado ao negócio.
Essa aversão coincide com a rotação global de investidores, que vêm se afastando de empresas de tecnologia comprometidas em gastar centenas de bilhões de dólares em IA, somada às pressões macroeconômicas de inflação, alta do petróleo e aumento das tensões entre EUA e Irã.
Apesar dos receios, o Morgan Stanley não está sozinho em sua visão otimista. Dados compilados pela Bloomberg mostram que quase 80% dos analistas que cobrem a SpaceX recomendam a compra das ações.
A meta média de preço é de cerca de US$ 232, o que implica que a ação pode mais do que dobrar em relação ao nível atual de negociação.
Analistas do Goldman Sachs, Bank of America, Citigroup e JPMorgan — bancos que lideraram a oferta inicial da SpaceX junto ao Morgan Stanley — também emitiram classificações equivalentes à compra para os papéis.
Leia também:
- SpaceX (SPCX) cai abaixo do preço do IPO; bancos enxergam vantagem competitiva que pode catapultar a ação a quase US$ 1.000
- SpaceX vai ao mercado de dívida pela primeira vez e revela caixa de US$ 100,8 bilhões
Starship: a grande aposta comercial
Enquanto Wall Street faz as contas do valuation, o braço operacional da SpaceX enfrenta nesta noite um teste crucial no cosmos.
A missão de hoje buscará executar o lançamento, a separação de estágios e o pouso do propulsor em um ponto offshore no Golfo do México.
Em seguida, a Starship precisará implantar 20 satélites Starlink V3 e realizar uma descida controlada para um pouso no Oceano Índico.
Este lançamento ocorre após o teste da última quinta-feira ter sido cancelado devido a falhas no disparo de múltiplos motores do foguete.
Um teste bem-sucedido hoje é visto como um catalisador para a ação, que despencou cerca de 25% desde a estreia no mercado — tendo atingido uma mínima de US$ 110,85 no início desta semana (18% abaixo do preço do IPO), após subir quase 50% nas três primeiras sessões de negociação.
Guinada operacional agressiva
Para acelerar o programa Starship, a SpaceX está realizando uma aposta alta no sucesso do novo foguete para assumir o lucrativo negócio de lançamentos da família Falcon.
A empresa começou a recusar operadores de satélites que buscam voos dedicados no foguete Falcon 9 para contratos além de 2028.
Além disso, suspendeu novas reservas para seu programa de caronas (rideshare) no Falcon 9, em que múltiplos operadores dividem o mesmo foguete, e interrompeu a fabricação de componentes não reutilizáveis do Falcon 9 e Falcon Heavy, como o estágio superior do foguete.
A meta da SpaceX é arrojada: migrar os negócios para a Starship para lançá-la dezenas de vezes no próximo ano, centenas em 2028 e milhares no futuro.
Seth Seifman, analista do JPMorgan, destacou em nota a clientes que Wall Street espera "tanto progresso quanto retrocessos" nessa trajetória, ressaltando que o interesse dos analistas está voltado principalmente para o custo e o tempo de reforma do segundo estágio após o estresse térmico da reentrada.
*Com informações da Bloomberg
The post Como a SpaceX (SPCX) de Elon Musk virou uma pechincha na bolsa appeared first on Seu Dinheiro.