É fácil adiar o que parece importante só para o amanhã. O problema é que esse “amanhã” tem o hábito de virar conta atrasada, meta abandonada e arrependimento acumulado. É justamente essa armadilha que o pesquisador Hal Hershfield coloca no centro de sua nova obra: a dificuldade que temos de enxergar o nosso eu do futuro como alguém que também merece cuidado.
Professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Hershfield estuda há anos como decisões de curto prazo podem sabotar planos mais longos. Em seu livro, resultado de uma década de pesquisas, ele defende que essa distância mental entre o presente e o futuro ajuda a explicar por que tantas pessoas economizam menos do que deveriam, cuidam mal da saúde ou deixam projetos importantes para depois.
O ponto central não é falta de força de vontade. Segundo essa linha de pesquisa, o cérebro tende a dar mais valor ao conforto imediato do que às consequências que só aparecerão mais adiante. Quando o futuro parece abstrato, ele perde prioridade na hora de escolher entre o agora e o depois.
Por isso, o autor aposta em estratégias para tornar o futuro mais concreto: imaginar a própria vida daqui a alguns anos, escrever para si mesmo, transformar metas em hábitos pequenos e automáticos e lembrar que quem vai viver as consequências das decisões de hoje ainda seremos nós. Em outras palavras, proteger o futuro começa com escolhas mais honestas no presente.