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Como seria a participação acionária dos norte-americanos na OpenAI

Redação Recifes
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Como seria a participação acionária dos norte-americanos na OpenAI
Foto: Christopher Santiago / Pexels

A promessa frequentemente discutida do CEO da OpenAI, Sam Altman, de que os americanos compartilharão a riqueza criada pela Inteligência Artificial voltou ao noticiário nas duas últimas semanas. O jornal Financial Times informou que Altman está em conversas com o presidente Donald Trump sobre conceder ao governo dos EUA uma participação de 5% na OpenAI.

Em alguns aspectos, o plano de Altman não é novidade. Ele escreveu sobre uma versão mais radical disso em 2021, propondo que todas as empresas acima de determinada avaliação de mercado, não apenas as de IA, pagassem 2,5% de seu valor de mercado a cada ano para um fundo que envia pagamentos anuais aos americanos. Em abril, a OpenAI descreveu uma proposta mais restrita que se assemelha muito ao que, segundo relatos, Altman está discutindo agora com Trump. E a noção tem amplo apelo político: o senador Bernie Sanders propôs conceder aos americanos uma participação de 50% nas principais empresas de IA.

Qual é a lógica aqui? Para os potenciais beneficiários, ela é dupla. Primeiro, a IA aprende diretamente a partir de trabalhos gerados por humanos, livros, filmes, arte, mas as empresas geralmente não pagam aos autores desses trabalhos. Uma participação acionária gratuita poderia servir como uma forma de compensação tardia. Segundo, o pagamento poderia mitigar a ansiedade generalizada sobre um colapso do mercado de trabalho, ainda que economistas discordem, ao oferecer uma rede de proteção.

O tamanho dessa rede de proteção está em debate. Os detalhes da proposta mais recente da OpenAI são escassos, mas suponhamos que o governo distribuísse essa participação acionária diretamente aos americanos. Após sua rodada de financiamento em março, a empresa foi avaliada em 852 bilhões de dólares, o que faz uma participação de 5% valer cerca de 42,6 bilhões hoje. A OpenAI estaria adiando seu IPO até conseguir chegar a uma avaliação de 1 trilhão, uma meta difícil, dado que está gastando pesadamente com data centers e ainda não deu lucro.

Distribuir esses 42,6 bilhões de dólares igualmente entre os cerca de 133 milhões de domicílios americanos daria a cada um aproximadamente 320 dólares (cerca de 1.600 reais) em participação acionária. Mas, se funcionasse como outros fundos de riqueza, o governo não daria participação acionária diretamente aos cidadãos, mas deixaria o fundo crescer e depois compartilharia uma parcela dos retornos com todos, talvez proporcionando um pagamento maior, se e quando as empresas de IA conseguirem começar a lucrar de forma sustentável.

Se esse dividendo se materializar, o que as empresas de tecnologia ganham com isso? Altman talvez espere que a promessa de pagamentos possa ajudar a deslocar a opinião pública um pouco mais de volta a favor das empresas de IA. A maioria dos americanos não confia que essas empresas usem a tecnologia de forma responsável e se opõe à construção de data centers em sua região, e metade está mais preocupada do que empolgada com o avanço cada vez maior da IA em sua vida cotidiana.

Mas o prêmio maior para a OpenAI talvez seja o fato de o governo Trump adorar fazer acordos com empresas de tecnologia, como sua participação acionária na Intel e sua parcela das vendas da Nvidia para a China. Permanecer do lado favorável do governo é bastante essencial para empresas de IA neste momento, basta perguntar à Anthropic. Isso poderia significar não ter seus modelos considerados um risco à cadeia de suprimentos, ou receber mais ajuda da Casa Branca para barrar seus rivais da China.

Minha principal conclusão é que esses planos atualmente funcionam mais como uma história do que como uma política pública. Altman vem falando sobre alguma versão dessa ideia há cinco anos e, segundo relatos, apresentou-a ao presidente pouco depois de ele tomar posse, mas ainda há poucos indícios de que um plano concreto esteja tomando forma. A proposta mais ambiciosa do senador Sanders tem ainda menos probabilidade de ganhar força.

Mas o que esses planos revelam é o quanto o futuro da IA ainda está em debate. Altman se inspirou, para seu plano, no Alaska Permanent Fund, que foi criado na década de 1970 para dar aos habitantes do Alasca uma participação nos lucros do petróleo. A ideia se baseava em duas premissas: que ele é um recurso compartilhado e que, em algum momento, acabará. Altman parece satisfeito em admitir a primeira afirmação sobre a IA. Mas rejeitaria a segunda, tendo prometido que essa tecnologia gerará riqueza extraordinária por décadas. Se os americanos algum dia receberão um cheque não é o ponto; o verdadeiro propósito da proposta talvez seja convencê-los de que o boom da IA será grande o suficiente para ser compartilhado.

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Artigo originalmente publicado em mittechreview.com.br
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