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Conheça a única tecnologia (humana) a deixar o Sistema Solar

Redação Recifes
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Conheça a única tecnologia (humana) a deixar o Sistema Solar
Foto: cottonbro studio / Pexels

As sondas Voyager transformaram a forma como a humanidade conhece o Sistema Solar. Lançadas pela NASA em 1977 para explorar os planetas gigantes, elas superaram em muito os objetivos originais da missão e seguem viajando pelo espaço quase cinco décadas depois. Hoje, são os artefatos construídos pelo ser humano que chegaram mais longe da Terra e as únicas espaçonaves em operação no espaço interestelar.

Durante o Olhar Espacial da última sexta-feira (17), o astrônomo e colunista do Olhar Digital Marcelo Zurita e o astrônomo amador e divulgador científico Alexsandro Mota explicaram por que a missão Voyager é considerada um dos maiores marcos da exploração espacial. Além de revolucionarem o conhecimento sobre os planetas gigantes, as sondas continuam ajudando cientistas a entender uma região do espaço que nenhuma outra missão alcançou.

Por que as Voyager são um marco da exploração espacial?

As duas sondas foram lançadas com poucos dias de diferença, em 1977, aproveitando um raro alinhamento entre os planetas gigantes que permitia visitar vários deles em uma única missão. A estratégia deu certo: a Voyager 1 explorou Júpiter e Saturno, enquanto a Voyager 2 passou pelos mesmos planetas e seguiu viagem até Urano e Netuno.

Até hoje, a Voyager 2 é a única espaçonave a visitar Urano e Netuno. As imagens e medições mais detalhadas desses dois gigantes de gelo ainda são resultado dessa missão, que também registrou vulcões ativos em luas de Júpiter e revelou detalhes inéditos dos anéis de Saturno. Segundo a NASA, boa parte do conhecimento científico sobre esses mundos ainda vem dos dados coletados durante os sobrevoos das Voyager.

Durante a transmissão do Olhar Espacial, Alexsandro Mota destacou que esse histórico faz da Voyager uma das missões mais importantes já realizadas. “Pensar na missão Voyager é automaticamente imaginar o ápice da exploração espacial. Elas chegaram tão longe e estão chegando tão longe quanto nenhum outro objeto feito pela humanidade já chegou”, afirmou.

Marcelo Zurita também lembrou que, apesar da tecnologia disponível na década de 1970 ser muito mais limitada do que a atual, a missão continua impressionando cientistas e entusiastas da astronomia. “Não tem quem admire a astronomia e não admire essas maquininhas feitas nos anos 70, que estão nos levando aos limites do Sistema Solar. É realmente um grande feito da humanidade”, disse.

As Voyager realmente saíram do Sistema Solar?

As duas sondas continuam se afastando do Sol e, segundo a NASA, já operam no espaço interestelar após cruzarem a heliopausa — a fronteira onde termina a influência do vento solar e começa a predominar o ambiente entre as estrelas. A Voyager 1 fez essa travessia em 2012, enquanto a Voyager 2 alcançou a região em 2018.

No entanto, Alexsandro Mota explicou que essa definição ainda gera debates entre pesquisadores. Isso porque uma definição mais ampla do Sistema Solar inclui a Nuvem de Oort, uma gigantesca região formada por bilhões de corpos gelados que se estende por quase um ano-luz a partir do Sol.

“Hoje em dia dizem que a missão Voyager já saiu do Sistema Solar. Não é bem assim. Ela saiu da esfera da influência magnética do Sol, da heliosfera. Só que há quem defenda que o Sistema Solar é muito maior que isso”, afirmou o divulgador científico. Segundo ele, a Voyager ainda deve levar cerca de 300 mil anos para alcançar a borda externa da Nuvem de Oort.

Na prática, a resposta depende da definição adotada. Pela classificação da NASA, as sondas já operam no espaço interestelar. Já uma definição baseada na Nuvem de Oort considera que elas ainda permanecem dentro do Sistema Solar. Independentemente da interpretação, há um consenso: nenhum outro objeto construído pelo ser humano chegou tão longe.

O que as sondas ainda fazem no espaço?

Quase 50 anos após o lançamento, as duas sondas continuam transmitindo dados científicos para a Terra. Mesmo após deixarem para trás os planetas gigantes, seus instrumentos seguem analisando partículas, campos magnéticos e radiação do espaço interestelar, permitindo estudar uma região que nenhuma outra missão alcançou.

Desenvolvidas com tecnologia da década de 1970, as Voyager seguem funcionando graças aos seus geradores nucleares de radioisótopos (RTGs), que produzem eletricidade a partir do calor liberado pela decomposição natural do plutônio-238. Como a luz solar é fraca demais nessa região para alimentar painéis solares, essa tecnologia permite manter as sondas em operação mesmo a bilhões de quilômetros da Terra.

A energia disponível, porém, diminui gradualmente. Para prolongar a missão, a NASA vem desligando instrumentos considerados menos essenciais e priorizando aqueles responsáveis pelas medições científicas e pela comunicação com a Terra.

Durante o programa, Alexsandro Mota destacou que o funcionamento contínuo das Voyager impressiona não apenas pela distância percorrida, mas também pelo fato de equipamentos desenvolvidos na década de 1970 continuarem operando e enviando informações científicas valiosas. “Se acabar agora, a gente já pode bater palma, porque a missão foi um verdadeiro sucesso”, resumiu.

Quando finalmente perderem contato com a Terra, as Voyager não deixarão de viajar. Elas continuarão percorrendo a Via Láctea por milhões de anos, carregando o Golden Record, um disco banhado a ouro com sons, imagens e informações sobre a humanidade criado como uma espécie de cápsula do tempo. Mesmo silenciosas, as sondas permanecerão como o exemplo mais distante já alcançado pela tecnologia construída pelo ser humano.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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