A Copa do Mundo tem um custo que vai além das passagens e ingressos: ele aparece silenciosamente nas planilhas das empresas. Uma pesquisa recente revelou que a febre futebolística está provocando queda generalizada na produtividade ao redor do globo, à medida que trabalhadores de diferentes setores abandonam — mesmo que momentaneamente — suas tarefas para acompanhar as partidas do torneio.
No Sul do Brasil, região onde a paixão pelo futebol se mistura à forte cultura do trabalho herdada dos imigrantes europeus, o fenômeno gera um dilema particular. Pequenos e médios empresários relatam dificuldades em manter o ritmo das equipes durante os dias de jogos. Em cidades como Porto Alegre, Caxias do Sul e Florianópolis, não é incomum ver escritórios com televisores ligados em horário comercial ou colaboradores checando o placar pelo celular a cada cinco minutos.
"A gente tenta conciliar, mas é difícil competir com a Copa", admite uma comerciante de Porto Alegre que preferiu não se identificar. Ela conta que optou por reorganizar o expediente nos dias de jogos do Brasil, antecipando reuniões e concentrando as tarefas mais exigentes para os períodos sem partidas. A estratégia, segundo ela, tem funcionado melhor do que tentar impor rigidez ao time.
Especialistas em gestão de pessoas alertam que a proibição radical do acesso às transmissões tende a gerar mais resistência do que resultado. A recomendação é que as empresas adotem uma postura flexível e negociada — seja liberando pausas coletivas durante os jogos, seja compensando as horas em outros momentos da semana. "Quem tenta nadar contra essa maré geralmente afunda na insatisfação da equipe", avalia um consultor de RH com atuação na região.
O fenômeno não é exclusivamente brasileiro, mas ganha aqui uma dimensão cultural difícil de ignorar. A Copa do Mundo acontece de quatro em quatro anos e move emoções que extrapolam qualquer política corporativa. Para os empresários do Sul, o desafio é transformar esse momento de distração coletiva em uma oportunidade de fortalecer o clima organizacional — e retomar o fôlego assim que o apito final soar.