As ações ligadas a memória e semicondutores de inteligência artificial entraram em uma correção mais dura nesta quinta-feira, 2 de julho de 2026, em meio a uma onda de realização de lucros que atingiu os principais mercados globais. O movimento veio depois de uma sequência de ganhos muito acima da média no segundo trimestre, o que deixou o setor mais sensível a qualquer sinal de desaceleração.
Na Ásia, o tom foi de aversão ao risco. A Bolsa de Seul recuou com força, pressionada por perdas expressivas em nomes como SK Hynix e Samsung Electronics, enquanto no Japão o impacto também chegou aos fabricantes expostos à cadeia de memória. O recuo mostrou que o ajuste não ficou restrito aos Estados Unidos: ele se espalhou por toda a rota global dos chips.
Nos EUA, o movimento atingiu empresas como Micron e Sandisk, que vinham surfando a combinação de demanda aquecida por IA e oferta ainda apertada em categorias como DRAM e NAND. Parte da pressão foi alimentada por dúvidas sobre o ritmo futuro de expansão de data centers, além de uma rotação setorial depois de uma forte valorização recente.
Apesar da queda, analistas ainda veem fundamentos favoráveis para a indústria. A tese central continua sendo a mesma: a infraestrutura de IA segue consumindo memória em volume elevado, enquanto a oferta demora a responder. Na prática, o mercado parece ter saído da euforia de curto prazo e entrado em uma fase de maior seletividade, em que preço, expectativa e execução voltam a pesar mais do que a narrativa de crescimento.