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Cory Doctorow vê a IA como promessa vazia e ferramenta de controle

Cory Doctorow vê a IA como promessa vazia e ferramenta de controle

Cory Doctorow, escritor e crítico feroz das plataformas digitais, voltou a mirar no entusiasmo em torno da inteligência artificial. Em sua leitura, a IA não vai entregar a revolução de produtividade prometida por executivos e investidores, mas isso não impede que continue sendo vendida como solução para quase tudo.

O ponto central de sua crítica é menos técnico e mais político: tecnologias como essa costumam ser adotadas com a expectativa de cortar custos, ampliar vigilância e reduzir a autonomia de quem trabalha. Doctorow enxerga nisso uma lógica recorrente no Vale do Silício, em que o benefício privado depende de empurrar perdas para empregados, consumidores e usuários.

No novo livro, ele retoma uma ideia provocativa ao inverter a noção de “centauro” na automação. Em vez de humanos ajudados por máquinas, o cenário mais comum é o de pessoas obrigadas a funcionar como apêndices das ferramentas, corrigindo erros, refazendo tarefas e assumindo o trabalho que o sistema não consegue entregar sozinho.

Para Doctorow, o apelo da IA também ajuda a explicar por que a bolha persiste mesmo cercada de promessas frágeis. A fantasia de substituir pessoas, acelerar decisões e concentrar comando continua sedutora para quem está no topo. O problema é que, segundo ele, esse modelo raramente cria valor duradouro: antes, produz mais pressão, mais precarização e mais desconfiança.

Artigo originalmente publicado em www.theguardian.com
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