Cratera australiana pode ser a mais antiga cicatriz de asteroide do planeta
<p>Uma formação rochosa no coração da Austrália Ocidental guarda o que pode ser o registro mais antigo de um impacto de asteroide já identificado na Terra. A estrutura geológica chamada North Pole Dome, localizada na região de Pilbara, é candidata ao título de cratera de impacto mais velha do planeta, com uma idade estimada em impressionantes 3 bilhões de anos — mais do que o dobro da idade das crateras mais antigas conhecidas até recentemente.</p><p>A hipótese foi apresentada por pesquisadores que analisaram as características das rochas da região e identificaram assinaturas geológicas compatíveis com o choque violento de um corpo extraterrestre. Entre os indícios estudados estão deformações microscópicas em minerais e padrões de fraturamento que, segundo os autores do estudo, só poderiam ter sido gerados por uma força de impacto colossal, incompatível com processos vulcânicos ou tectônicos convencionais.</p><p>No entanto, a proposta não é unanimidade. Outros geocientistas questionam tanto a interpretação das evidências quanto a precisão da datação. Para os céticos, as feições observadas no North Pole Dome podem ter sido produzidas por dinâmicas internas da Terra ao longo de eras geológicas, sem necessidade de invocar um impacto cósmico. A questão central é que, quanto mais antiga é uma estrutura geológica, mais difícil se torna distinguir as marcas originais de um impacto das transformações impostas por bilhões de anos de processos terrestres subsequentes.</p><p>O debate importa além do registro histórico: compreender a frequência e a intensidade dos bombardeios asteroidais no Hadeano e no Arqueano — os primeiros éons da Terra — ajuda a reconstruir as condições em que a vida surgiu em nosso planeta. Se confirmada, a datação do North Pole Dome indicaria que a Terra jovem era alvo de colisões intensas em um período em que as primeiras formas de vida microbiana já poderiam estar se estabelecendo nos oceanos primitivos.</p><p>A estrutura já era conhecida pelos geólogos, mas sua origem sempre foi motivo de controvérsia. O estudo recente reacende o interesse científico pela região e reforça a necessidade de investigações mais detalhadas com técnicas de datação radiométrica de alta precisão. Por ora, o North Pole Dome permanece como um enigma geológico de proporções planetárias — e a resposta definitiva sobre seu passado cósmico ainda está sendo escavada, camada por camada, no tempo profundo da história da Terra.</p>
Artigo originalmente publicado em
www.newscientist.com