O receio de que a creatina prejudique os rins ganhou força no fim dos anos 1990, quando um relato isolado sugeriu essa possibilidade. O problema é que um único caso não estabelece regra: nas décadas seguintes, estudos controlados e revisões sistemáticas passaram a encontrar outro quadro, sem sinal de lesão renal em pessoas saudáveis que usam o suplemento nas doses habituais.
Parte da confusão vem do exame de creatinina. Quem usa creatina pode apresentar uma discreta elevação desse marcador no sangue, e isso assusta. Mas creatinina não é sinônimo de dano renal; ela pode subir por aumento do consumo do próprio suplemento, por maior massa muscular e por outros fatores, sem que a filtração dos rins esteja comprometida.
Na prática, a leitura mais honesta da ciência é simples: para adultos saudáveis, a creatina monohidratada segue como um dos suplementos mais estudados e, usada com critério, não aparece associada a piora da função renal. Já quem tem doença renal, faz uso de medicamentos que exigem cautela ou recebeu orientação médica específica deve conversar com um profissional antes de iniciar a suplementação.
Em vez de demonizar o produto, vale olhar para o contexto: dose adequada, hidratação, qualidade do suplemento e acompanhamento quando houver doença prévia. A creatina pode ser útil para performance e força, mas não é uma autorização para ignorar histórico clínico nem transformar suplemento em atalho sem orientação.