🌊 Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bônus

Crítica Avatar Aang: O Último Mestre do Ar | Um prato cheio para os fãs

Redação Recifes
1 visualização
Crítica Avatar Aang: O Último Mestre do Ar | Um prato cheio para os fãs

Anunciado ainda em 2021, Avatar Aang: O Último Mestre do Ar passou por uma verdadeira turbulência antes de retornar ao universo que se tornou um dos favoritos dos fãs de desenhos.

O lançamento, que passou dos cinemas aos streamings e encarou vazamentos, enfim chegará ao Paramount+ em breve e encerrará esta grande jornada.

A trama mostra Aang já adulto, com um mundo guiado na direção da paz. Porém, um conjunto de dores antigas traz um novo conflito e coloca o “Time Avatar” em uma aventura inédita.

O longa-metragem usa muito da nostalgia para aquecer o coração dos fãs, mas também uma abordagem nunca antes vista para conectar a história com Avatar: A Lenda de Korra.

  • Animação de qualidade
  • Um prato cheio para o fanservice
  • Reforça ligações com as sequências
  • Mistura nostalgia com novidade muito bem

Contras

  • Quadros “repetidos” cansam
  • Não é tão acessível para quem não é fã

A beleza de Avatar Aang

Um dos grandes pontos fortes de Avatar Aang: O Último Mestre do Ar é trazer uma animação de extrema qualidade. Lutas, cenas mais contemplativas e todos os elementos são belíssimos de se ver, com uma arte de ponta.

Em termos comparativos, é possível até colocar o filme no mesmo patamar de animes como Jujutsu Kaisen, Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- e outros que também se utilizam de poderes visualmente impactantes. 

Além disso, ver Aang e seus amigos crescidos traz uma mistura grandiosa de sensações. Já se passaram mais de 20 anos desde a sua exibição original (na TV Globinho, um pouco menos: 18 anos) e é como rever “velhos amigos” que nunca mudaram muito.

Amadureceram, logicamente. Porém, seus espíritos continuam no lugar: Sokka continua a ser galante e a fazer piadas, Toph nunca mudou seu gênio “intenso” e Katara ainda exerce o papel de cuidadora do grupo. 

“Não será difícil ver Sokka arrancar risadas, assim como acontecia no passado” - Diego Corumba

Dito isso, vale notar como a leveza de Zuko se tornou uma qualidade que continua a impressionar. Antes movido pelo ódio e pelos dramas familiares, ver mais dele sem todo o peso da guerra é excelente e traz cenas de humor muito bem inseridas. 

Avatar Aang: O Último Mestre do Ar, neste ponto, é perfeito: todo o fanservice está lá. Quem não é fã pode notar que a barra é forçada em alguns momentos, mas sem alguns elementos com certeza não traria a impressão certa sobre seus heróis.

Com essa informação em mente, temos referências aos montes, menções a eventos antigos e até “aparições especiais”. Se você não via o desenho animado, não vai ficar perdido na continuidade, mas perderá detalhes que enriquecem a obra e sua evolução.

Não é algo que desencoraje os novatos, mas sim uma provocação ao público para voltar ao desenho antigo. Pode até fazer algum sentido para quem acompanha a série live-action da Netflix, porém seu objetivo é que consuma o original de 2005.

O tom da nostalgia

Ainda que tenha uma base forte nas memórias afetivas, ele conta muito bem a sua história inédita. Vemos a dor de Aang por ter perdido seu povo e ter escolhido fugir, toda a sua conexão com os nômades do Ar e como ele quer construir o “futuro” deste mundo.

Em contrapartida, temos em Avatar Aang: O Último Mestre do Ar um movimento anti-dobra que cresce entre a população. O grupo não consegue perdoar os terrores causados pela Nação do Fogo, assim como não admite o perdão oferecido para eles — o que traz um conflito mais realista. 

Uma vez oprimidos, eles agora buscam por poder para nunca mais sofrerem nas mãos de quaisquer dobradores. Assim, a trama espelha muito bem o que é visto no mundo real, principalmente no cenário geopolítico atual.

Enquanto vemos o ditado de “o sonho do oprimido é se tornar opressor” ganhar vida de um lado, temos Togah do outro. Ele é um novo dobrador de Ar, congelado assim como Aang e que volta em uma era que desconhece. Porém, ainda carrega uma dor consigo que movimenta a narrativa de forma intensa. 

“O filme usa temas como a guerra, perdão e a forma como escolhemos lidar com nossa dor para mover os personagens dentro da narrativa” - Diego Corumba

Sua conexão instantânea com o Avatar, através da dor dos dois, faz do roteiro algo extremamente interessante e dá todo o tom que os episódios do desenho animado carregavam. Em certos momentos, senti que via um episódio “estendido” como epílogo.

Isso não é, ao todo, ruim. Como espectador e fã, era exatamente o que esperava de Avatar Aang: O Último Mestre do Ar. Porém, volto a bater na tecla de que isso a distancia da audiência moderna — principalmente quem vê apenas a adaptação do streaming rival. 

Assim como visa o passado muito bem, a obra também estabelece conexão com seu futuro. Ficam claros os planos do protagonista para a Cidade República, vista como um dos principais elementos de Korra. Além disso, deixa personagens e parte da mitologia em aberto, talvez para se conectar com o próximo passo da franquia.

O ciclo se repete em Avatar Aang

Ainda que o longa-metragem agrade aos fãs, ele não é passível de algumas falhas que incomodam aos mais atentos. Uma delas é a repetição de um mesmo quadro por toda a sua duração: de ver algum personagem de costas em destaque, enquanto algo grande ocorre ao fundo.

Consegui contar ao menos umas 5 ou 6 cenas deste tipo enquanto assistia Avatar Aang: O Último Mestre do Ar e senti que perdeu muito do impacto que poderiam causar. No começo, foi ótimo ver as lembranças do grupo reunido enquanto enfrentava os dirigíveis da Nação do Fogo, por exemplo.

Porém, cada cena que precisava retratar um lado contra o outro — ou até mesmo dar profundidade para algum conflito — essa mesma composição era utilizada. Se não tivesse sido levada à exaustão, isso teria sido um dos grandes trunfos do enquadramento. Porém, só me irritava a cada repetição dela.

Alguns detalhes não pude avaliar, como a dublagem em português brasileiro. Na prévia disponibilizada pelo Paramount+, a única linguagem disponível era a original em inglês. 

“As vozes originais são ótimas, mas senti que parte da alma que cativou o nosso público eram as vozes de Erick Bougleux, Ana Lúcia Menezes e dos demais fez falta” - Diego Corumba

A mitologia se completa

Ainda que algumas coisas incomodem, senti que Avatar Aang: O Último Mestre do Ar sai com um saldo muito positivo — principalmente entre quem é fã e sentia falta dos personagens antigos. 

Minha maior dor foi a vontade de ter visto a obra nos cinemas, o que inicialmente foi prometido e depois modificaram para que seu lançamento ocorresse exclusivamente no Paramount+. Ele é excelente, mas sabe quando algo podia ser “maior”? 

É compreensível o viés de que a animação não é tão acessível ao público-geral (o que pode ter gerado temor sobre sua arrecadação), mas nestes últimos 20 anos foi reunida uma legião de fãs que pagaria para vê-lo — talvez mais de uma vez. Na prática, infelizmente isso ficará apenas na vontade.

Ainda assim, ele respeita toda a mitologia da saga e nos traz o tão sonhado “episódio com Aang e seus amigos mais velhos”. Com uma boa história e uma produção bem forte, essa premissa foi entregue com louvores. 

Com estreia agendada para o dia 25 de julho de 2026 na Paramount+, se você é fã da obra, ela se torna indispensável. Vale a pena assistir e aproveitar esse tempo extra que os personagens ganharam nas telas. 

{{WHATSAPP_CHANNEL}}

Artigo originalmente publicado em canaltech.com.br
Compartilhar:

Comentários

Seja o primeiro a comentar!