O filme Homem-Aranha: Um Novo Dia chega para abrir uma nova fase para Peter Parker no Universo Cinematográfico Marvel (MCU), com uma abordagem completamente diferente da que foi vista até aqui.
Se até agora o protagonista, interpretado por Tom Holland (A Odisseia e Uncharted: Fora do Mapa) era um estudante desajeitado e dependente dos Vingadores, neste momento vemos um super-herói isolado e preso ao manto.
Essa diferença de tom é um dos principais destaques do longa-metragem, que traz uma das melhores abordagens que o MCU já deu ao Amigão da Vizinhança até hoje. Se você sentia falta de Peter Parker deprimido e sem grana, sua espera acabou.
Como Homem-Aranha 2 (2004) foi para Tobey Maguire, Homem-Aranha: Um Novo Dia constrói uma relação honesta do protagonista com o público e, sobretudo, com o mundo rodeado de heróis. Confira as nossas impressões do novo filme:
- Coreografias de luta impressionam
- Homem-Aranha achou ritmo no MCU
- Apelo emocional funciona bem
- Melhor filme do aracnídeo com Tom Holland
Contras
- Deixa muitas pontas soltas
- Excesso de flashbacks incomoda
- Perdeu algumas oportunidades
O manto do Homem-Aranha
Em Sem Volta para Casa (2021), o Doutor Estranho apagou a mente de todo o planeta e ninguém se lembra que Peter Parker é o Amigão da Vizinhança. Anos se passaram e nós o vemos em um ponto insustentável para si mesmo.
Sem seus amigos, sem a tia May e com dois desafios na sua frente, ele percebe que não tem lidado bem com sua condição atual. Um dos problemas é uma estranha mutação que gerou inconveniências para o herói. O outro é um vilão invisível.
Sem entregar spoilers, é possível dizer que Homem-Aranha: Um Novo Dia traz um nível de interação ideal com o MCU. Peter Parker não é mais um aprendiz e inexperiente, mas se ele precisa de apoio, ele sabe a quem recorrer e como obter o que quer.
O longa tem um “excesso” de participações especiais que entregam muito bem como é ver uma HQ do aracnídeo. Ele pode chamar Vingadores, Defensores, encontra Frank Castle (aqui, interpretado por Jon Bernthal) e encara vilões naturalmente.
O melhor é que, por uma boa parte do longa, ele não depende de nenhum deles para atuar. São coadjuvantes de luxo, em um momento que Peter Parker finalmente assume a posição de protagonista de sua própria história — o que é excelente.
Assim como essas conexões são bem conduzidas, o apelo emocional também sabe impactar a audiência. Ele está em seu “pior momento” e sente falta das pessoas que ama, enquanto tem de encarar sozinho coisas simultâneas demais.
A retratação deste momento, nas mãos de Tom Holland, brilha muito. Ele consegue entregar cenas interessantes de reflexão e que mostram a dor que o super-herói sente. Em termos comparativos, Homem-Aranha: Um Novo Dia traz a melhor atuação dele.
“Se você ama HQs e as fases deprimidas de Peter Parker, o filme é um prato cheio para mergulhar nesta abordagem” - Diego Corumba
Vilões demais?
Um dos maiores temores do público é que a produção trouxesse vilões demais para as telonas. Já tinham sido confirmados o Lápide, Escorpião e Bumerangue, por exemplo, assim como os trailers mostraram que o Homem-Aranha lutaria contra o Hulk.
Porém, não se preocupe: tudo é construído de forma fluida e isso sequer se torna um problema. O herói apresenta momentos muito bons para cada um deles, de forma que também traz alguns dos melhores aspectos das HQs.
No entanto, o melhor de Homem-Aranha: Um Novo Dia é a coreografia de luta. A produção realmente estudou outras mídias como as animações, jogos e mais para evidenciar Peter Parker em sua melhor forma física.
Ele gira, faz acrobacias, usa o terreno ao seu favor e se balança entre prédios com uma maestria que chega a impressionar no cinema. Batalhas como contra o Clã do Tentáculo e o próprio Golias Esmeralda mostram que toda a equipe acertou em cheio.
Reinício imperfeito
Pela primeira vez um ator ganha um quarto filme solo como Homem-Aranha (já é o sexto dele em todo o MCU), então é um território inexplorado e que pode criar novas falhas em seu caminho em direção aos próximos capítulos.
A maior delas é o excesso de flashbacks. A Sony Pictures quis relembrar parte do caminho de Peter Parker neste universo compartilhado, o que trouxe dezenas de cenas antigas para integrar os novos fãs à trama.
“Tudo poderia ser resolvido com um episódio de 10 minutos de Lendas da Marvel, poderiam passar até mesmo antes da sessão começar, porém escolheram um caminho mais árduo” - Diego Corumba
Não é errado desejar que pessoas que não acompanharam os últimos filmes entendam o que acontece, mas o ritmo é quebrado várias vezes por cenas antigas e que encaixariam muito bem em algum diálogo.
Se por um lado quer se lembrar demais do passado, do outro Homem-Aranha: Um Novo Dia se perde no que deseja construir para o futuro. A “mutação”, tão destacada nas prévias, não ganha qualquer desdobramento relevante para Peter Parker.
Ele ganha novas habilidades, seu corpo passa por mudanças, isso é abordado dentro da narrativa — seja com Bruce Banner (Mark Ruffalo), seja pela personagem interpretada por Sadie Sink (Stranger Things e A Baleia) — porém, no fim do dia, traz mais perguntas do que respostas.
Na prática, o desenvolvimento será visto em outras produções e deixa uma sensação de que o longa continua preso às amarras do MCU neste sentido. O Homem-Aranha finalmente está independente, mas é só uma gota no oceano de referências.
Aqui se vê o quanto eles perderam uma oportunidade de construir uma jornada de começo, meio e fim para o super-herói. Sabemos que virá Vingadores: Doutor Destino e Vingadores: Guerras Secretas, mas o que se constrói ali ficará para depois deles.
Não é errado a Sony e a Marvel Studios pensarem em construir uma nova trilogia por partes, com coisas a serem desenvolvidas apenas para o futuro. Contudo, Peter Parker poderia ter algumas pontas amarradas no fim da narrativa e que foram deixadas para as futuras obras.
“Em Homem-Aranha: Um Novo Dia, vemos uma das melhores produções do super-herói ainda presa nas correntes do universo compartilhado, com a obrigação de abrir portas em vez de contar uma trama com início, meio e fim coesos” - Diego Corumba
Vale a pena ver o novo Homem-Aranha?
O super-herói voltou com toda a força, no seu capítulo mais sombrio e que mais destaca o potencial de Peter Parker — em contrapartida ao manto que ele carrega. Na sua pior fase é que vemos o melhor do personagem e como ele é construído.
Ainda há piadas, momentos leves e cenas divertidas. Mesmo assim, Homem-Aranha: Um Novo Dia toca em temas como a solidão, luto, excessos e a falta de autocuidado, que podem derrubar as pessoas, até mesmo algumas das melhores que conhecemos.
Mais do que um filme em que bonecos se batem, explosões acontecem e o “dia é salvo”, ele traz muitas reflexões que valem dentro da proposta do personagem. Neste aspecto, ele está bem distante da trilogia que consolidou Tom Holland e toca um pouco nas dores vistas em Tobey Maguire, no Homem-Aranha dos anos 2000.
Com uma boa base e dentro de um MCU já estabelecido — formado pelos Novos Vingadores, pela presença do Hulk e até do Justiceiro — ele se encaixa perfeitamente nisso, sem os exageros que vimos no passado com o Homem de Ferro, Nick Fury e outros.
Mesmo com as falhas e um certo excesso de flashbacks, é o momento ideal para voltar a prestar atenção no Amigão da Vizinhança. Principalmente se você esperava por um amadurecimento do herói e de suas histórias nos cinemas.
Com um ritmo muito acertado e coreografias de se tirar o fôlego, Homem-Aranha: Um Novo Dia é um retorno ao Universo Cinematográfico Marvel na sua melhor fase. Não é uma obra-prima, mas volta a te fazer sentir que está nos tempos em que estes filmes estavam em sua glória.
A produção estreará nos principais cinemas brasileiros nesta quarta-feira (29), confira a programação para saber os melhores horários e salas disponíveis.
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