O Brasil passou a receber, desde 2025, mais pedidos de refúgio de cubanos do que de venezuelanos, um sinal de mudança no fluxo migratório que chega pelo Norte do país. Em Roraima, porta de entrada dessa travessia, a cena é de pessoas que abandonam a ilha caribenha em busca de renda, estabilidade e perspectivas que já não encontram em casa.
Por trás do movimento está o aprofundamento da crise econômica em Cuba. Profissionais com formação universitária contam que o salário local perdeu completamente o poder de compra, transformando até compras básicas em um desafio diário. A decisão de sair, para muitos, deixa de ser projeto e passa a ser necessidade.
Esse deslocamento, no entanto, não acontece de forma simples nem barata. Parte dos cubanos recorre a redes de atravessadores, conhecidas como coiotes, que cobram valores altos para organizar a viagem. Há quem pague cerca de US$ 10 mil por rotas que combinam avião, barco, estrada e caminhada pela mata até alcançar o território brasileiro.
Ao chegar, muitos seguem diretamente para formalizar o pedido de refúgio, usando o mecanismo como tentativa de reconstruir a vida com segurança jurídica. O avanço dessa nova nacionalidade no topo da lista pressiona a estrutura de acolhimento e mostra como a fronteira norte do Brasil continua sendo um espelho das crises da região.