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Da destruição à resiliência: como países aprendem a viver com terremotos

Da destruição à resiliência: como países aprendem a viver com terremotos

Nenhuma tecnologia humana é capaz de evitar um terremoto. O que os países podem fazer — e os melhores já fazem com maestria — é preparar cidades, populações e sistemas de resposta para que, quando a terra tremer, o número de vítimas seja o menor possível. A diferença entre um tremor que mata milhares e outro que deixa poucos feridos raramente está na magnitude do sismo: está no grau de preparação da sociedade que o enfrenta.

O Japão é talvez o exemplo mais emblemático de convivência sísmica bem-sucedida. O país enfrenta cerca de 1.500 terremotos por ano, mas transformou esse convívio forçado em uma cultura nacional de resiliência. Sistemas de alerta precoce emitem avisos com até 30 segundos de antecedência — tempo suficiente para que trens freiem automaticamente, cirurgias sejam interrompidas com segurança e escolas efetuem evacuações ordenadas. Os edifícios são projetados com tecnologia antissísmica de última geração, e simulações de emergência fazem parte do calendário escolar desde a infância. No Japão, a preparação não é opcional: é parte da identidade nacional.

No outro lado do Pacífico, Chile e Nova Zelândia seguem caminhos semelhantes. Ambos os países estão situados sobre zonas de falha geológica extremamente ativas e investiram décadas na construção de códigos rígidos para edificações, na formação especializada de profissionais da construção civil e no treinamento contínuo de equipes de socorro. O resultado aparece nas estatísticas: terremotos de magnitude similar causam mortalidades muito distintas dependendo do grau de preparo do país atingido. Em regiões onde as construções são precárias e os planos de evacuação inexistentes, um tremor moderado pode se tornar uma catástrofe humanitária.

A equação da resiliência sísmica envolve muito mais do que engenharia. Requer investimento público consistente, planejamento urbano criterioso e, acima de tudo, vontade política. Países que levam a sério a gestão financeira de seus recursos — destinando verbas específicas para infraestrutura de prevenção e fundos de resposta a desastres — demonstram capacidade muito maior de se recuperar rapidamente após eventos sísmicos. A prevenção, mesmo quando cara, sempre sai mais barata do que a reconstrução emergencial e o custo humano incalculável de vidas perdidas.

A lição que as nações mais preparadas do mundo oferecem ao restante do planeta é simples e poderosa: terremotos são fenômenos naturais, mas tragédias são, em grande parte, fenômenos sociais. Elas resultam de escolhas — ou da ausência delas. Investir em ciência sísmica, em educação da população e em infraestrutura resistente não é um luxo restrito a países ricos: é uma questão de prioridades. Conviver com a terra que treme é plenamente possível. O que não tem mais justificativa é ser pego de surpresa quando se sabe, há séculos, que o chão pode se mover a qualquer momento.

Artigo originalmente publicado em www.dw.com
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