Aos 67 anos, Juary Jorge dos Santos Filho vive uma realidade bem distante dos holofotes que iluminaram sua carreira. O ex-atleta, que esteve ao lado de Pelé em um dos últimos grandes jogos da lenda do futebol, hoje navega pelas ruas da Baixada Santista como motorista de aplicativo. Mas por trás dessa trajetória há um combate silencioso contra a depressão, mal que não respeita troféus nem títulos conquistados nos campos europeus.
Na auge de sua trajetória profissional, Juary era sinônimo de sucesso. Conquistou a Champions League durante sua passagem pela elite do futebol europeu, além de dominar competições nacionais como o Campeonato Paulista. Seu nome estava entre os atletas que marcaram época, compartilhando vestiários com grandes craques da história do esporte brasileiro. A carreira parecia garantir a prosperidade que todo jogador sonha alcançar.
Contudo, o encerramento da vida profissional trouxe desafios que nenhum título preparou Juary para enfrentar. A depressão, transtorno mental que afeta pensamentos, humor e até funções corporais básicas, foi tomando conta gradualmente. Sem conseguir lidar sozinho com os sintomas, o ex-jogador precisou buscar formas práticas de se reinventar enquanto cuidava de sua saúde mental, o que o levou a trabalhar como motorista de app.
Sua história não é isolada entre atletas que enfrentam crises emocionais após o auge. Muitos ex-profissionais vivem lacunas profundas quando a carreira termina, perdendo não apenas a renda, mas também a identidade que construíram ao longo de décadas. Juary, porém, escolheu não desistir: o trabalho como motorista tornou-se tanto uma forma de sustento quanto uma estratégia de enfrentamento da depressão, mantendo-o ativo e conectado socialmente.
Seu exemplo ecoa como um alerta importante sobre a saúde mental de ex-atletas e a necessidade de preparação emocional para a vida pós-carreira. Enquanto segue em frente com suas corridas diárias nas ruas de Santos, Juary Jorge permanece batalhador, provando que a verdadeira força nem sempre está em levantar taças, mas em levantar-se a cada dia.