A estreia da SpaceX na bolsa de Nasdaq animou o mercado e impulsionou uma nova onda de IPOs de empresas de tecnologia, especialmente aquelas ligadas ao mercado de inteligência artificial. No início de junho, a Anthropic, dona do Claude, anunciou que deu entrada no pedido de oferta pública inicial junto à Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM dos Estados Unidos). Agora, é a chinesa DeepSeek quem parece estar próxima de abrir capital.
Segundo reportagem do Financial Times, a DeepSeek estaria se preparando para um IPO que poderia acontecer já no final deste ano. Antes disso, porém, a startup chinesa quer levantar mais uma rodada, menos de dois meses depois da sua última captação.
A DeepSeek havia captado um aporte de cerca de US$ 7,4 bilhões, com investidores como Tencent e a gigante chinesa de baterias CATL, avaliando a companhia em cerca de US$ 50 bilhões. De acordo com as fontes ouvidas pelo FT, a DeepSeek iniciou conversas nesta semana com potenciais investidores para uma nova rodada de captação, mirando um valuation pre-money de US$ 71 bilhões.
A necessidade de novos recursos estaria relacionada à expectativa de um aumento expressivo em despesas de capital, motivado por planos da DeepSeek de construir seus próprios data centers e comprar mais chips de IA.
A DeepSeek passou boa parte da sua história financiada majoritariamente pelo seu fundador, Liang Wenfeng, por meio do fundo High-Flyer. Isso mudou neste ano, com a rodada fechada em junho, quando o próprio Liang teria investido pessoalmente cerca de US$ 3 bilhões, tornando-se o maior acionista individual da empresa, ao lado de outros nomes como Tencent, CATL, JD.com, NetEase e o fundo estatal chinês voltado à indústria de inteligência artificial.
A empresa, fundada em 2023, ganhou notoriedade internacional no início de 2025 ao lançar modelos de IA mais baratos e eficientes que os de concorrentes ocidentais, como o ChatGPT, da OpenAI. Hoje, seus modelos de código aberto seguem entre os mais competitivos do mundo, apesar das limitações impostas pelos controles de exportação dos Estados Unidos, e a infraestrutura de nuvem da empresa roda em chips fabricados pela chinesa Huawei Technologies.
Além da Anthropic, a OpenAI também planeja abrir capital, mas anunciou recentemente que estaria considerando adiar o IPO para 2027. Segundo o New York Times, os assessores da empresa teriam apresentado a Sam Altman a escolha entre esperar até 2027 por um valuation de US$ 1 trilhão ou aceitar um valor menor para listar ainda em 2026, mas o fundador teria classificado qualquer corte nesse patamar como inaceitável. Pesa também o momento turbulento do mercado, com ações de chips em queda e ceticismo crescente sobre se as apostas bilionárias em IA vão se pagar, além da possível vantagem de seguir privada por mais tempo, evitando o escrutínio que uma abertura de capital impõe.
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